DON'T SAY A WORD

Eu não sei de nada mas ouvi da prima da tia do irmão do melhor amigo do sócio do dono da Boutique da Carne que disse que ouviu a Laurindinha que arranja as unhas com a Fabiana dizer que dois ilustres membros deste estaminé foram ouvidos a debater o tamanho da pila de uma terceira parte.
 
E não. Não eram duas gaijas. Mas eu não sei de nada, obviamente...
 
*De vez em quando apetece-me agitar estas águas. Só isso...

LEMBRAM-SE DE EU DIZER QUE TINHA SAÍDO HOJE DE DEBAIXO DA CAMA?

Foi sol de pouca dura.

Volto a sair dentro de três... Vá... trinta anos.

Man... I'm Shit Queen!

PARA QUEM POSSA TER FICADO BARALHADO...

Com o súbito desaparecimento de um post que andou por aqui um par de
horas, passo a explicar:

RAISPARTA DA CHEFA QUE TEM A PUT@ DA MANIA DE ESCARRAPACHAR O LINK
DESTA MERD@ POR TODO O LADO!*

*Hoje, finalmente, arranjei coragem de sair de de baixo da cama.

Um pé aqui outro ali

E mais uma vez guardei aquela camisola que pouco uso já tem mas de que sou incapaz de me desfazer. Não há razões para não a vestir, até gosto mais dela que da nova que comprei, mas está tão datada, foi tão vista que me sinto desconfortável com ela. Um dia talvez volte a estar no topo da pilha mas por enquanto fica guardada para não se estragar.


Não sei para que serve um blog, para tudo, para nada, mas sei que se não puder escrever o que me apetece nem vale a pena cá vir e, infelizmente, é o que está a acontecer com este blog. Desde há muito que sei que é lido por quem eu não quero que me leia, por quem eu não quero dividir pedaços de mim, por quem eu não quero que tenha uma luzinha que seja dos meus dias mas por quem eu não quero deixar de fazer o que gosto, escrever.

Há um ano, exactamente um ano, recebi um email de quem eu não sabia que me lia e há um ano, há exactamente um ano, comecei a deixar de escrever e agora já nem sei se o consigo fazer ou se o quero fazer longe dos muitos que por aqui andavam.

Na semana passada a Peixa acabou com o blog dela. Lá teve as suas razões, mas Peixa nunca vai deixar de ser. Ela anda por aí e o recomeço dela fez-me ter vontade de recomeçar também. Tentei fazê-lo aqui mas não consegui portanto decidi que também vou andar por aí. Aqui fica a Chefa e a Peixa e quem mais quiser estar, pelo outro lado irá andar uma outra que também sou eu mas que já não é, de certeza, a cabra de serviço.

Mónica e David - I



Passou ontem à noite no Canal 2. Quem quiser saber mais pode ir aqui. Por enquanto não me apetece dizer mais nada mas tenciono voltar à Monica e ao David.

O direito do mais forte à liberdade

Chama-se Maricica Hahaianu mas podia chamar-se Franz Biberkopf porque tal como a personagem de Fassbinder está estendida no chão de uma estação de metropolitano e quem passa não olha e se olha não pára. Franz tinha-se suicidado, Maricica, uma enfermeira de 32 anos, tinha sido agredida estava em coma e ainda não se sabe o que lhe vai acontecer.
A realidade, a puta da realidade, a tão bem imitar a ficção.

E será que já alguém fez linha?


Alex Vega, o décimo mineiro a sair, já está à superfície

Se há alguma coisa de que agora me arrependo...

 ... é de não ter comprado um destes quando fui ao supermercado.

A Peixa tem olho para os gajos

- Como é que se chama o anão?

- Carlos.


Assim, sem hesitar, sem piscar o olho, sem derrapar nas palavras, atirando com a resposta sem fazer perguntas desnecessárias e mantendo o mesmo ar sereno de sempre.


A vida na cidade é difícil. É pelo menos mais difícil que a vida no campo. Enquanto vivi no campo sabia que tabaco e café só na Lurdes mas pelo menos tinha tabaco e café e baile ao fim de semana e isso era certo. Agora, na cidade, a coisa é complicada. Tabaco já sei que têm mas o café está difícil e não é por falta de tentativas. Volta e meia, é só mesmo mais meia, lá aparece a Peixa por aqui e a dúvida é sempre a mesma e agora, que fazemos? e se fossemos tomar um café ali à esquina? e nós lá vamos mas nunca conseguimos tomar um café, o que é estranho, não sei porque não servem cafés, vê-se gente com copos na mão mas chávenas nada. Pelo menos têm tabaco e se não servem cafés e em Roma temos de ser romanos nós, com grande sacrifício, lá pedimos um copo com qualquer coisinha.

E é lá, nesse sítio onde não servem cafés e onde têm um gigante à porta, que anda o anão. Ele não é assim bem bem um anão, ou um midget, ou um dwarf, é só um ser pequenino com ar de duende, que ciranda lá pelo meio sempre de auricular no ouvido e que com um ar sério e mau comanda aquele mundo de gigantes. E eu e a Peixa temos medo, muito medo, que ele olha para nós e até já nos faz assim uns sorrisos e nós temos medo que um dia nos salte para dentro de um bolso sem darmos conta e lá vimos nós com o anão para casa e portanto temos sempre o cuidado de não levar malas grandes e antes de sairmos até os bolsitos das moedas nas jeans nós viramos do avesso.

Café não tomado atrás de café não tomado o anão foi entrando no nosso dia a dia, que é como quem diz nas nossas noites lá de vez em quando, e nós tínhamos pena, muita pena, de não sabermos como se chamava o anão que ele lá por nos sorrir tem cara de mau e não iria gostar se um dia lhe disséssemos olha lá, ó anão,  já que não servem café pelos menos podiam pôr vodka a sério nos sumos de laranja que isto assim não está com nada e se é para beber um suminho ficamos em casa, o nome era mesmo um problema mas da última vez que fomos beber um café ficou determinado que o meu objectivo seria saber o nome do anão, o que não era fácil, que não me dava muito jeito chegar ao pé dele e perguntar ó anão como é que te chamas? porque eu até já expliquei que ele é anão mas manda naquilo tudo e nós temos esperança de um dia ainda conseguirmos beber o tal café. 


Foi então, quase em desespero de causa e assumindo a derrota, que na última noite, já de casaco vestido e abotoado que cá fora faz frio, me abeirei do porteiro latagão que faz origamis e a seco, sem pré aviso ou rodriguinhos, lhe atirei com a pergunta. Como é que se chama o anão? E ele respondeu. Desde aí a minha consideração pela Peixa aumentou bastante. É que ela tem bom olho para gajos, ela sabe escolhê-los, que fosse outro e ainda agora estava a tentar perceber o que lhe teria eu perguntado.E eu gosto de pessoas assim, que as apanham no ar sem precisarem de explicações e agora até podia dizer que tirando o porteiro latagão da Peixa conheço poucas, muito poucas.


E eu tenho de reconhecer que lá por aquilo não ser o sítio da Lurdes, que bem que podem ter tabaco e baile mas não servem café, o porteiro faz a casa e até até agora já mostrou que para além de saber fazer origamis também é rápido no gatilho. Como já disse, a Peixa tem olho para os gajos. Deve ser pelos dentes que lhes tira a pinta.

IN BRUGES

Uma tarde, eu botei a Chefa a ver esta magnifica película. Acho que considero ser o melhor filme non-sense dos últimos anos.

"Ray: A lot of midgets tend to kill themselves. A disproportionate amount, actually. Hervé Villechaize off of Fantasy Island. I think somebody from the Time Bandits did. I suppose they must get really sad about like... being really little and that... people looking at them, laughing at them, calling them names. You know, "short arse". There's another famous midget. I miss him but I can't remember. It's not the R2D2 man; no, he's still going. I hope your midget doesn't kill himself. Your dream sequence will be fucked. 
Chloë: He doesn't like being called a midget. He prefers dwarf. 
Ray: This is exactly my point! People going around calling you a midget when you want to be called a dwarf. Of course you're going to blow your head off."

Yeah, it all happens in 'fucking Bruges' (it's in Belgium). Se não viram, não sabem o que estão a perder. As cenas com o anão são priceless...


(Sim, alguém tem que botar aqui um bocadito de cóltura, tá?)

E a outra é que é a selecção de todos nós? Somos uns tristes, é o que é...


A selecção portuguesa de Natação de síndrome de Down fechou em Taipé, Taiwan, a participação no 5º campeonato do Mundo da categoria com quatro medalhas de bronze.
No último dia de prova os atletas portugueses alcançaram o lugar em seis finais. O atleta Ricardo Pires conquistou medalhas nas provas de 200 livres, 200 metros  estilos e 200 metros bruços, e Mannie NG foi a terceira classificada nos 100  metros bruços.
(nota mental: raios partam a minha preguiça e o meu desleixo e mais a outra carrada de defeitos todos, sim, leva lá a bicicleta, o egocentrismo também, que fazem com que ainda não tenha metido os pés ao caminho e inscrito a gaijinha na natação que tenho a certeza que ia direitinha para a competição que o raio da miúda nada bem que se farta e parece que por aqui até têm uma equipe de Síndrome Down e tudo...)

Dos comboios que passam de quem os vê passar das leituras em tempo de férias e dos espelhos mentirosos


Era frequente, naquela altura, ficarmos parados dentro do carro à espera do comboio que iria passar até que de repente, cruzando um bocadinho de horizonte, lá aparecia ele para desaparecer do outro lado e era nessa altura, quando o comboio passava, que o meu pai nos voltava a ensinar, como se repetindo sempre o mesmo comboios sem conta houvesse a esperança de que não o esquecêssemos, que aquele comboio vinha de algum lado e seguia para outro, que dentro dele iam pessoas à janela, que nos viam aparecer e desaparecer tal como nós as víamos a elas e que as vidas continuavam para além daquele momento em que se cruzavam não havendo personagens principais e figurantes, porque se nós éramos só mais uns ocupantes de um carro parado numa estrada qualquer que depressa ficava para trás e eles passageiros de um comboio que passava rápido todos seguíamos um caminho e nenhum estava lá só para ser cenário do outro.

A praga, ou a regra, foi que este seria um Verão teenager e os deuses, que gostam de brincar connosco, ouviram e levaram a coisa a preceito porque se o que se estava a pensar era muito Grease com summer nights e um coro de Uh Well-a well-a well-a huh a mim, pelo menos, não me calhou o tal boy cute as can be mas um Verão inteirinho na velha Figueira com uma mãe que nos obrigava a sentar à mesa para um jantar que começava sempre com sopa ainda o Sol estava muito longe de se pôr, horas marcadas para chegar à noite porque ela não dormia enquanto eu não chegasse, erro meu, grande erro, quando há muito pensei que nunca mais ouviria esta frase, e, last but not least, Verão teenager no seu melhor, sem televisão e internet. Ora como cada mãe tem as suas regras e se a minha tinha estas a da minha filha finalmente teenager de pleno direito tinha outras um bocadinho, ligeiramente, diferentes, as minhas longas e quentes noites de Agosto foram passadas de olho aberto à espera que chegassem as 3 da manhã, vá, uma vez por outra as 4 da manhã, para abrir a porta à gaijinha mais nova. E que fiz eu nessas noites? Pois claro, reli dezenas de livros policiais mais umas dezenas de livros de ficção científica com que avisadamente, que eu já conheço a fera há muito, tinha enchido o maior dos sacos de viagem que encontrei.
Dos policiais não reza a história que quando já se sabe quem matou pouco fica mas a ficção cientifica voltou a levar-me aos outros mundos por onde gosto de deambular e foram eles os grandes responsáveis, mais a história do comboio que parece que não tem nada a ver com isto mas já vão perceber como cai aqui que nem rosas, para que ontem tenha chegado à varanda e ao ver a linha do horizonte tão bem recortada lá ao fundo no mar, o pinheiro grande aqui mesmo na frente e o céu lá em cima, pensasse de imediato como era tão impossível que tudo isto fosse só um cenário para eu ver quando chego à varanda porque se pensamos que todo este imenso universo está cá só para nós foi porque esquecemos a história dos comboios e das vidas que lá vão e que até podemos não ver por não irem à janela mas que também têm um caminho para seguir. E mais uma vez vi-me pequenina, um pontinho sem importância no meio disto tudo.

Faltam os espelhos,não faltam?
Que porra!, hoje chamaram-me egocentrista e se considero esse a babushka dos piores defeitos, que lá dentro cabe quase tudo, e se tenho que dar ouvidos a quem assim me crismou por lhe reconhecer capacidades para tanto, então os espelhos são mentirosos, coisinha que não é novidade, porque a imagem que nos dão de nós é sempre o inverso da que os outros vêem e eu vou ter de concluir que afinal o meu pai andou a gastar latim para quase nada e que na minha vida devia ter levado com muitas mais passagens de nível porque não é por saber a história dos comboios de cor e salteado e por achar que há mais vida lá em cima que eu deixo de viver à volta do meu umbigo.

Estou chateada comigo. Sim, eu sei que outros problemas me deveriam afligir de momento mas ser egocentrista é isto mesmo, não é?

(por outro lado, e fazendo outras contas, talvez só esteja a dar ouvidos aquela opinião porque eu a valorizo mas isso é voltar a pôr o fulcro em mim e portanto se aquela pessoa quiser que eu a oiça eu tenho de ser um bocadinho egocentrista, não é? Caramba, isto é muito complicado e já estou toda baralhada mas hei-de arranjar uma argumentação qualquer que prove provadinho que não sou egocentrista porque de mim quem sabe sou eu...Ou não devia ter disto isto?)

MISERY

Eu sei que isto vos pode parecer corriqueiro e não vão entender a dimensão da tragédia...

OH CHEFA!!! DÓI-ME A GARGANTA!!!

E não lhes contamos, pois não Peixa?

Socorro!, querem-me comer.

E eu estou a rir-me.
Por vezes, mas mesmo muito de vez em quando, tenho de dar a mão à palmatória e reconhecer que os homens são bichos estranhos, soltam-se-lhes assim uns apetites repentinos que nos deixam quando meninas a tremer que nem varas verdes e quando mais burras velhas a soltar gargalhadas que nem eu.

Não o vejo vão bem mais de vinte anos se bem que o vi tanto nessa altura que se passassem outros tantos não me iria esquecer dele. Era eu e ele e mais o outro e mais a outra e aquela e os outros dois e éramos alguns e durante cinco anos vivemos agarrados uns aos outros. A minha casa e a casa dele, uma de cada lado da rua como nos namoros sérios, eram as casas de todos e devo-o ter visto mais vezes nu do que vi o meu irmão, que ele também não era rapaz de muitos resguardos e o que tinha mostrava, fosse onde fosse e a quem fosse, parecendo-me até, assim quase que a modos de certezinha, que o chaveiro dele era mais conhecido que o guarda da porta férrea. Não havia queca que desse que não nos viesse contar, com todos os pormenores e os requintes da malvadez que nos fazia a nós, as da malta, rir a bom rir, salvaguardadas que estávamos de ser  vítimas daquele predador a quem a proximidade das vidas impedia os apetites das carnes. Nunca nenhum de nós cruzou o risco que nenhum de nós desenhara mas que lá estava, marcado a tinta que se julgava indelével e que era se não isso fluorescente de certeza já que nem as bebedeiras mais devastadoras que acabavam na manhã de um dia qualquer, com tudo ao molhe, num quarto desconhecido, nos fizeram quebrar a regra que era sagrada e nunca, nem nos mais longos Invernos, nos comemos uns aos outros.

Mas isto era dantes, quando as pradarias estavam cheias de gazelas e as feras ainda tinham pernas para correr que agora as barrigas já pesam e a fruta só mesmo a do sítio do costume. Então não é que o cabrãozinho, e cabrão é nome terno, me reencontrou hoje nestas coisas dos faicibuques e vai daí somos amigos, e isso não é de estranhar que amigos nunca deixáramos de ser, e logo de seguida, seguidinha, sem tempo para respirar nem para um olá por aqui e que fazes?, vem com ai continuas tão boa e se a malta coiso e tal e ninguém sabia e bebíamos até cair e acordávamos num sítio qualquer?
E agora, se fosse fim de semana, eu desceria à estrebaria, que estrebaria só abre aos fins de semana, feriados e sérias precisões dos caralhinhos todos do menino jesus, e soltava duas ou três do vernáculo mais profundo enquanto continuava a rir desbragadamente a lembrar-me do gajo no dia em que lhe desliguei o esquentador e lhe atirei com um litro do azeite lá da quinta por cima da cortina do duche porque olha lá, tu põe-me juízo nesses cornos, tu não achas que nem todo o álcool do mundo me impediria de desatar à gargalhada assim que tu pusesses a mão na braguilha para qualquer outra coisa que não fosse para um xixi em arco em cima de uma ponte qualquer?

E é por estas e outras que às vezes, muito às vezes, penso que os gajos são mesmo diferentes de nós, aliás, são mesmo diferentes de tudo o que é conhecido, é que não há força da gravidade que lhes valha e a pila, bem bastas vezes, sobe-lhes até à cabeça.

Como é que é?

A clientela está a reclamar, e com razão, mas isto está enferrujado. Foram muitos meses sem pôr óleo nas mãozinhas e agora os dedos ensarilham-se nas teclas. Mas isto vai lá...

Boa!


Pode ser que assim reeditem o Tia Júlia e o Escrevedor porque este foi um dos tais que se volatizou e que eu tenho muita vontade de voltar a ler.

Atão???

Foi só ameaço ou a coisa segue?

O bom de poder postar por email

É dar as novidades na hora e assim ter a possibilidade de vos contar
que aqui, no estádio de Alvalade onde me encontro, acabei de ver
senhor Visconde de cabeça perdida a celebrar este quarto golo acabado
de marcar. Trajava jeans mas impecavelmente vincadas.

--
Enviado do meu celular

Nem sei porque é que me lembrei disto

E se não consegue pagar 100 euros de pensão de alimentos ao seu filho por causa da prestação do carro venda o carro e ande de bicicleta e se a si 100 euros não lhe chegam porque quase só isso gasta em fraldas compre fraldas de pano que fazem o mesmo serviço.

É que hoje ainda não me saiu da cabeça esta tirada de uma juíza que ouvi já lá vão alguns anos. 

SANTO

Só para que saibas que tudo o que foi dito, sobre a minha pessoa, nos últimos tempos, é uma mentira deslavada!

Os outros se quiserem que se defendam (se houver defesa possível, claro…)!

Olha! Ainda se posta por aqui.....

Pois, a promessa de voltar numa forma mais continuada ainda não é hoje, mas vou fazer o trabalho de casa (ler o que tenho em atraso)e logo vejo.

Então a Peixa havia de postar por email e eu não?


Nem que me mordesse todinha mas que estava difícil estava. Passemos a explicar, quando me registei a primeira vez no Blogger, nos idos 2003, usava uma conta de email que entretanto deve ter ido no dilúvio do Noé. Quando o Blogger passou para Beta todos os blogs do mesmo autor, mesmo que com várias contas de email, foram reunidos na conta do Google e o login passou a fazer-se com essa conta. Até aqui, sem problemas, juntaram os meus bloguinhos todos, tão lindos, estive a revê-los..., perderam dois ou três mas já eu nem me lembrava deles, e a coisa ficou quase perfeita. Quase, porque agora, só agora, com esta história do Mail2Blogger é que a porca torceu o rabo já que veio à tona da água o tal email que se tinha afundado há muito e o Blogger insistia, apesar da asneira ser dele, que eu estava a fazer qualquer coisa errada. O Blogger é gajo, está visto, faz merda mas a culpa é sempre nossa.
Ajuda para aqui, FAQ's para ali, foruns (eu sei que é fora mas soa mal) nacionais, foruns internacionais e lá estava a minha respostinha - nada a fazer! É um bug, o Blogger um dia flixaria isso e até lá que não nos doesse a cabeça, mas se quiséssemos mesmo mesmo postar por email podíamos criar outra conta com uma nova URL e transferir o blog. Estão parvos, os gajos. Então eu, que estou farta de mudanças de casa, ia andar com este estaminé às costas? Nem pensar.

Mas que raiva. Raiva, raivinha... Atão a outra anda feita maluca a mandar emails que se transformam em postas e eu fico a ver? Isso é que era doce.
E prontos, aqui está a Tereza by mail. Elementar, caro Holmes, foi só criar uma nova conta no gmail, como se eu já não tivesse muitas mas isso são outros carnavais, mandar um convite à gaja para escrever no Cabra, chamar-lhe, que é como quem diz chamar-me, Tereza by mail e fazer um manguito aos idiotas do Blogger mais aos outros todos que me disseram que remédio do bom não havia. Havia havia, eu é que não lhes vou contar. Fica aqui só entre amigos.
Ah, e já agora, não dei à gaja poderes de administração do blog que ela é maluca e ainda me froquilhava isto tudo.

AUSTERIDADE

Estou aqui a olhar para o Zé que está, há sensivelmente 10 minutos, a informar-me que me irá ao rabinho, digo, bolso. Eu, em vez de o mandar para a pata que o pôs, estou a olhar impavidamente.

Eu sempre achei que passei ao lado de uma belíssima carreira de cortesã...

(E isto é para não dizerem que eu não discuto coisas sérias e politica e assim...)

Antes que a outra venha para aqui denegrir-me

Eu digo já que fui à Wikipédia ver:
1. Quem raio era o Bublé (sim, já sabia que cantava umas coisas)
2. O que canta o Bublé.
3. Qual era a pinta do Bublé
4. Assim para que idade era o Bublé
Fiquei esclarecida sobre estas questões faltando-me agora saber:
1. Porque é que tem nome de chiclete Gorila.
2. Porque é que o povo anda tão alvoraçado.
3. Se o Bublé é amiguinho do Biber
4. Quanto tempo falta para o Bublé cantar o Somethin' Stupid em dueto com a Miley Cyrus.
5. Se as gaijas vão ao concerto ouvir o Bublé ou ver o Bublé
6. Se os gaijos vão ao concerto ouvir o Bublé ou ver as gaijas que vão ver o Bublé
Quem quiser ajudar-me a sair desta Terra das Trevas tem desde já o meu eterno reconhecimento.

Ó pra mim com umas asinhas nas costas

Querem que eu acredite que com o dia de Sol e calor que por aqui está quem fez greve, e devem ter sido muitos que as escolas estão fechadas, foi para uma manifestação em Lisboa?

Hummm.... Essa, hoje, não deve ser a praia deles.

O fio da navalha

Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor, ou seja a resposta mais simples costuma ser a correcta.
William de Ockham

E toda a nossa vida seria muito mais fácil se usássemos mais vezes esta Navalha de Ockham

O sapo, a princesa, o (cozinheiro) sueco, o armário que afinal também era baterista, a cinderela que virou abóbora e é achá-la no meio dos figurantes

a porca que achava que era rainha e a cabra tresmalhada que caíu de paraquedas no curral mas que também já deita o Bohemian Rapsody pelos olhos, ouvidos, narinas e restantes orifícios e agora vou ali ao tasco ao lado ver se finalmente já se disserta longamente sobre sexo ou se afinal era só garganta...


O raio verde

Foto Matilde

Reza a história, ou a lenda, que eu sempre achei que era mais lenda que história mas isso sou eu que sou muito céptica, que na Figueira da Foz, nos fins de tarde em que nem uma nuvem se vê no céu, lenda, lá está, que céu sem uma nuvem é coisa nunca vista por lá, em que a linha do horizonte é um traço bem definido entre o mar e o céu, lenda!, a linha está sempre mais borrada que o meu risco dos olhos, e em que nem uma brisa corre, ora cá está a prova provada de que é lenda, se nos concentrarmos bem no pôr do sol haveremos de ver, no exacto momento em que ele se esconde nas profundezas, um raio verde a aparecer  do mar.

Há quem diga que já o viu, a minha mãe diz que sim, que o viu uma vez, mas eu continuo a achar que o raio verde é outro e que esta é, há muito, uma desculpa bem esgalhada para se ficar na praia quando já ninguém mais por ali anda excepto quem connosco ficou para ver o tal raio verde, que não foi dessa que apareceu mas já que por ali ficámos e não está mais ninguém que não se dê por mal empregue o tempo.

Este ano, num dos muitos fins de tarde em que se ficou pela praia à espera do raio do raio verde, que se algum dia o vi já nem me lembro e se me esqueci é porque não valeu a pena ser lembrado, não vi o raio verde mas vi uma outra luz. Contaram-me uma outra história, não a do raio verde, e eu percebi como tinha sido tão despudoradamente enganada durante tantos anos. Contaram-me, enquanto a iam traduzindo do alemão arcaico escrito pelas pouco delicadas manápulas dos irmãos Grimm, a história da Princesa e do Sapo.

Lembram-se da princesa boazinha que brincava no jardim, que deixou cair a bola de ouro ao lago, e do sapo que a apanhou e a quem ela deu um beijo de agradecimento transformando-se então o sapo num garboso príncipe? Errado, tudo errado, mas graças a isso andei eu, e muitas de nós, a dar beijos a sapos à espera que virassem príncipes. Ora lá está, quantas de nós já conheceram sapos? Muitas. Quantas de nós os trataram bem? Muitas. Quantas de nós viram o sapo virar príncipe? Han?!... Ouvi alguma coisa? Ninguém diz nada?!...

Pois não, nem há nada para dizer porque sapo algum vira príncipe assim, só os das histórias mal contadas. O sapo da princesa, tal como todos os outros sapos, não lhe pediu um beijo, pediu foi para ir para a cama com ela. A princesa, esperta, disse-lhe que sim mas logo que se apanhou com a bola na mão raspou-se para o palácio que com sapos ela não queria nada. A gaita é que o sapo foi atrás dela, fez queixa ao Rei e este obrigou a filha, promessa é promessa, mesmo feita a um sapo, a levá-lo para a cama. E ela levar levou mas na cama é que não o meteu, atirou-o para um canto do quarto e deixou-o lá. Qual quê, o gajo não se calava, queria cama, claro, e a princesa, a nossa princesa que sempre acreditámos ser tão boazinha, farta de o ouvir e não suportando mais o coaxar irritante, pegou nele e atirou-o à parede. Aí, e só aí, o sapo se transformou em príncipe. Acham que nessa altura ele olhou para a princesa e lhe disse ora adeus que és uma cabra e vou-me embora? Isso seria assim nas outras histórias porque na realidade o que aconteceu foi bem diferente que ele saltou-lhe para a cama e três dias depois, três dias depois!, saíram do quarto porque a princesa não era parva e dar beijos a um sapo é uma coisa mas ir para a cama com um príncipe é outra bem diferente.

E, ao contrário do costume, nem é preciso dizer qual é a moral da história já que todas a percebemos bem, o que não percebíamos era a outra que nos  impingiram, porque, tal como o raio verde, era mesmo só uma lenda traiçoeira.