AINDA SEI O QUE FIZESTE O VERÃO PASSADO


Há 8 anos atrás, o meu coração estava partido. Estilhaçado em pedacinhos tão pequeninos que pensava serem impossíveis de reunir.

À boa maneira Queirosiana, a menina foi mandada para a quinta no norte para ganhar cores e apetite. Depois de todos os iluminados que fazem parte da minha vida confabularem o plano, o mesmo foi-me transmitido de forma a quase parecer uma ideia minha e eu embarquei na farsa.

A quinta acordou nessa manhã como em todas as outras. Vagarosamente como o ritmo de férias. As gémeas não existiam ainda, o Peixinho era uma impossibilidade cada vez mais impossível, portanto não havia os passinhos e as risadas e os sons de desenhos animados como há agora.

A hora do almoço foi chegando com a azáfama que caracteriza as mesas longas e barulhentas. Não sei se foi a Fi (a única que estava a trabalhar) ou o parvalhão do ex-namorado da irmã dela que entrou sala adentro, já perto das 2, e perguntou se nós não estávamos a ver as notícias, que um avião tinha caído em Manhattan.

Nós, de travessas nas mãos, olhámos incredulamente e alguém ligou o televisor. Ficámos ali, uma dezena de pessoas, a olhar as imagens da Torre Norte em chamas durante cerca de um minuto até ouvirmos o “Oh my God” emitido pelo pivot de um qualquer canal americano quando o segundo avião embate na Torre Sul. Nenhum de nós disse nada durante algum tempo até que me lembro de alguém dizer: “Isto não foi um acidente…”

Almoçámos e depois sentámo-nos a ver televisão a tarde toda sem perder pitada, de coração apertado e com a certeza de que tudo mudaria daí para a frente. Foi-se chegando mais gente e fomos ficando pelo salão. Foi-se buscar mais carne para o churrasco do jantar e éramos muitos.

À medida que fomos tomando consciência do que realmente tinha acontecido, ao longo desse dia e dos seguintes, percebemos realmente o horror e sentimos o medo instalar-se.

5 anos depois, já com um filho lembro-me que pensei que o 11 de Setembro de 2001 será para os nossos filhos como a 2ª Guerra é para nós: impressiona-nos, revolta-nos, mas não assistimos, não vimos com os nossos próprios olhinhos. Não temos a verdadeira dimensão da tragédia. Assim será o 11 de Setembro para eles.

Penso que todos nós, hoje pensaremos no que estávamos a fazer nesse dia. Um dia que nós não esqueceremos, decerto. Um dia de que falaremos aos nossos filhos. Um dia em que morreram milhares de pessoas inocentes só porque sim. Um dia que também originou outros dias em que morreram milhares de pessoas e assim foi criada uma bola de neve. E todos os dias há tantos conflitos em que morrem pessoas e não há transmissões em directo na CNN.
Eu sei nunca vou esquecer o 11 de Setembro, sei disso com toda a certeza da minha alma, mas gostava também de não me esquecer de outras chacinas. Aquelas que todos nós esquecemos todos os dias.

Parece que foi ontem

A 11 de Setembro de 2001, deviam ser umas 13h20 quando recebi um telefonema do meu pai: "Tens a TV ligada? Não? Então põe as notícias, é inacreditável, parece um filme". Enquanto escrevo estas palavras estou a arrepiar-me. Nunca antes daquele dia havia sentido que estava a testemunhar em directo imagens que iriam mudar para sempre os destinos da História da Humanidade tal como a concebera até à véspera. Desde então nunca mais nada foi como antes.

A 11 de Setembro de 2006, sob o efeito de um documentário que vi na RTP2, escrevi este texto que ainda hoje faz sentido para mim. Não sei o que a TVs preparam hoje para nós mas lembrei-me disto que quero partilhar convosco.


Há cinco anos todos nós vimos na televisão. Não conseguíamos despregar os olhos daquelas imagens. Vimo-las dez, vinte, cem, mil vezes. Como se estivéssemos viciados nelas. De vista esbugalhada. De coração esbugalhado. No dia seguinte acordámos e ligámos a televisão de novo. Para ver se era mesmo verdade. Se não teríamos sonhado.

Ontem à noite (e antes disso, na 2) passaram vários documentários, entre outros aquele sobre o Homem em Plena Queda (The Falling Man). A famosa foto de Richard Drew que chocou tanta gente, que originou uma pesquisa, a qual deu resultados espantosos. Não interessa concluir sobre a identidade deste homem, cuja posição extraordinária ainda hoje me deixa perplexa: além de levar a cabeça para baixo, tem a perna direita flectida, como quem estivesse encostado a uma parede, a ver o tempo passar. Quando na verdade, é ele que passa pelo tempo à velocidade estonteante de uma morte, a morte mais mediática do onze de setembro. A morte que todos viram mas que ninguém viu, pois acredito que ele ainda estava vivo neste momento da queda.
Não interessa se era o tal do Jonathan Briley, cuja irmã deu um depoimento que deveria ser ouvido por todos, uma lição de vida e de serenidade. Ou se era o outro "suspeito", cuja família, de tão crente, se teria desmoronado se viesse a confirmar-se ser de facto ele o "suicida". Porque para eles (para elas) era a heresia suprema. Que o pai e marido pudesse ter decidido acabar depressa com tudo aquilo. Que tivesse dado aquele vôo. Estaria para elas condenado para sempre às chamas do inferno (e o que seria aquilo lá em cima? Uma sauna? Um solário?) se acaso tivesse cometido aquele crime aos olhos de deus.
Pois se houver deus, se houver Deus que mereça maiúscula, este e os outros "jumpers" do onze de setembro foram direitinhos para o paraíso. Straight to heaven. Pois aquilo, sim, foi um acto de suprema coragem. Tanta quanta a dos bombeiros que subiram quando todos os outros desciam.
E também um acto de suprema fé. Pois algures dentro do desespero inimaginável existiu um lampejo de esperança num milagre que os salvasse. "Talvez, talvez eu possa voar. Talvez, talvez haja um deus que me salve, que me ampare nesta queda, que a transforme em vôo".
E se Deus houve, Deus o(s) salvou. E ele voou para a eternidade.

(texto publicado aqui em 11/09/06)

E uma boa barrela de sabão macaco?

Foi galo, mas foi mesmo assim. Há uns anos, dez ou onze, a Fairy lançou uma enorma campanha publicitária. Mais uma. Nós, simples mortais, iamos passar a poder usufruir de uma nova maravilha, super concentrada, pois claro, o Fairy Anti-bacteriano. Aquilo era o Dr. House das cozinhas - e só não era porque o próprio House ainda não era House porque se fosse era de certeza - e não iria haver bicheza que resistisse. Uma maravilha, já disse, não já?

Mas foi galo. Mesmo galo. É que no mesmo dia, ou quase, a Organização Mundial de Saúde publicou mais um ralatoriozinho. Diziam os senhores que a tuberculose estava a reaparecer em força na Europa e que a culpa, imagine-se, como se pudesse haver culpados nestas coisas!, era, também, dessa corja de detergentes anti-bacterianos que andavam a dar cabo das nossas defesas. Os gajos, com aquele ar de Linha Maginot, estavam a lixar-nos as barreiras que tinhamos criado e a abrir enormes auto estradas no nosso sistema imunológico, e isto para não lhes chamar SCUT's já que nem consta que tivessem portagens, para entrarem todos os arqui inimigos que pensávamos ter derrotado há muito.
Percebem agora o galo, não é? Está bem que nem devia haver muita gente a ler essa coisa dos relatórios dessa outra coisa da OMS mas que era chato lá isso era. Logo na altura em que a Fairy tinha prateleiras de supermercados cheinhas com a tal maravilha que fazia milagres. Mas os senhores da Fairy não dormem em serviço e se tinham acabado de encher uma ponte de gente a comer feijão e convenceram meio pais - o outro estava lá a comer e não viu - que tinham lavado a pratalhada toda só com um frasquinho daquele líquido milagroso, também haviam de resolver este problemazito de nada. E resolveram.
Não passou uma semana até aparecer uma nova campanha. A Fairy, com o Alto Patrocínio da Presidência da Républica, ia contribuir para a campanha de vacinação contra a tuberculose em Moçambique. Altruisticamente iriam doar para a compra da vacina um escudo por cada frasco de Fairy Anti-bacteriano vendido.
E agora, assim en passant, apetecia-me dizer uma daquelas palavras curtas e grossas, mas nem agora nem na altura disse. Achei que talvez fizesse melhor se pegasse no telefone e ligasse para dois ou três sítios e falasse com dois ou três amigos e eles fizessem duas ou três notícias. Fosga-se! Com o Alto Patrocínio da Presidência da República? A comerem-nos por parvos?
Ligar eu liguei, e expliquei muito bem explicadinho, mas e bádádá, e bádádé, e a Fairy era Lever e claro que era um escândalo mas a Lever pagava-lhes os ordenados e não havia jornal, televisão, rádio ou boletim de paróquia que se atrevesse a levantar uma palha que fosse que fizesse uma comichãozita no bom nome da Lever.
Agora, passados tantos anos, eu acho que o nome que ouvi foi Lever mas já não sei, não tenho a certeza, se não terá sido Sócrates.

Lembrei-me disto por causa disto
Digam-me lá, senhores jornalistas que ficaram chocados com a história do sabão azul e branco, preferiam Fairy anti-bacteriano, não era?

E vocês, vão votar? Eu não.

De repente saltou para cima da mesa e começou aos berros. Naquela sala de aula de Filosofia do 12º ano devíamos ser uns vinte e tal alunos, mas todos nós nos encolhemos de medo nas cadeiras. Ele continuava a bater com os pés na mesa, a dar murros no ar, a gritar connosco como se todos os demónios deste e do outro mundo o tivessem tomado de assalto.
Parou da mesma forma que começou, num repente. Desceu da mesa, ajeitou a camisa e começou a falar-nos da criação dos mitos, dos deuses, do Sagrado. O Alfredo Reis era assim e foi assim que numa tarde de Sol qualquer nos agarrou a todos antes de nos atirar para os primórdios da humanidade, quando a divindade mostrava o seu desagrado derrubando uma enorme árvore com um estranho raio de luz e os homens temiam o seu poder.

Deus, qualquer deus, sempre fez sentido para mim enquanto vigilante dos homens. O Deus Cristão, o Deus do Amor, nunca foi muito das minhas simpatias. Se é para amar então amamo-nos uns aos outros e está feito, porque o tempo que gastamos com alguém lá em cima que gosta de nós será muito mais bem aproveitado se o dedicarmos ao estupor do vizinho da frente, que esse, com quem dividimos o elevador, é que convém trazer nas palminhas. O outro Deus, o Deus que o Alfredo Reis nos apresentou naquela tarde, o antecessor do Deus do Antigo Testamento, do Deus de Abraão, de Sodoma e Gomorra, da Torre de Babel, fazia-me todo o sentido. Na falta de Justiça na terra criou-se uma Justiça Divina. Era Ele, ou Eles, os Deuses, que tomavam conta dos homens e os castigavam quando era necessário. Se os homens não tinham condições para impôr a Justiça, chame-se Deus.
E pensava eu que tudo isto era muito bonito, e tinha muita lógica, mas era passado. Deus tinha-se tornado obsoleto porque a cidade, mal ou bem, resolvia os seus assuntos sem ter de esperar por um Deus qualquer que não falha mas pode tardar.
Estava enganada. Começo a perceber que afinal o que nos faz falta é um Deus que atire uns raios por aí, faça tremer terras, derrube homens. Faz-nos falta o medo do castigo, mesmo desse castigo que é só uma promessa que ainda há-de ser cumprida mas a que sabemos não poder escapar.

Nós não perdemos a noção do Sagrado, dos valores, dos princípios. Sabemos muito bem o que é a ética, a verdade, a justiça, o certo e o errado mas também sabemos que há grandes probabilidades de nada nos acontecer porque aqui por baixo anda tudo ao mesmo e lá em cima o Deus castigador foi pai, amoleceu e passou a derramar paz e amor em lugar de dilúvios.

Talvez seja eu que ando com pouca paciência, mas gostava que as nuvens se abrissem e um velho de barbas compridas e ar de mau aparecesse lá em cima e distribuísse umas quantas bordoadas. É que já não consigo perceber como ninguém, nem um deus daqueles do antigamente, põe alguma ordem no caos.
A Cidade, a tal Cidade que podia fazer alguma coisa, diverte-se com pão e circo e até os deuses recolheram as garras e passaram a ser amiguinhos. E nós ficámos reduzidos à nossa mortalidade, ao hoje aqui e amanhã sabe-se lá, e armámos um Carnaval sem fim onde tudo é possível e ninguém presta contas. Dancemos pois nesta enorme roda de samba mas assumamos de uma vez por todas que já só interessa a música que nos faz bailar porque a letra até pode ser o lá lá lá do costume.

Vão realizar-se eleições? Acho que sim, mas o resultado vai mudar muito menos coisas que o do jogo de hoje entre Portugal e a Hungria. E Portugal, oito minutos depois, já marcou e tudo. Haja esperança pois para marcar golos ainda vamos usando a cabeça e o povo fica feliz. E afinal é o Povo quem faz a tal Cidade onde o pão nosso de cada dia, com mais ou menos sal, nos há-de ser dado por alguém, porque foi esse o legado que os deuses, caquéticos e já na pré-reforma, cansados de nos tentarem endireitar e sem voz para os sermões, nos deixaram antes de se retirarem para uma Flórida qualquer onde só podem estar bem, graças a Deus.
Mas fazem por aqui muita faltinha.

O PADRINHO

ESTRANHAS LIGAÇÕES

Palavras praquê?

Caminhos

Foto: Shark

Regresso a "0"

- Clara, sabes o Zezinho lá da escola?
- O José Neto? (para a Clara as pessoas devem sempre ser identificadas pelo nome completo) Sei. Ele e a a Patrícia e o Bruno. Vão comigo às aulas da Ana Silva.
- Pois... sabes... houve um acidente.... O Zezinho morreu.
- Não faz mal, ficam a Patrícia e o Bruno.

Definitivamente, ela não percebeu.

Nova tentativa, agora da irmã.

- Clara, o Zezinho que brincava contigo. Ele e o Helder e o Nuno tiveram um acidente e morreram. Agora quando a escola começar não vais poder brincar mais com o Zezinho. Não tens pena?
- Não. Esse morreu, não ouviste a mamã?

E, para a Clara, a morte é assim. Hoje está, hojamanhã, única palavra que sempre usou para indicar qualquer tempo futuro, deixa de estar.
Simples, não é?

Ora vamos lá ver


que é como quem diz "Let's look at the trailer", para usar uma expressão que decerto será do mais completo agrado da minha mui cara parceira de blog, aka Mente Quase Perigosa. Admito que de talvez me tenha de certo modo precipitado quando classifiquei a medida 10 cm como "risível". Pensando melhor, e vendo a coisa tal como é - e eu deveria saber que não há nada como realmente... - 10 centímetros até não é algo assim tão desprezível. Para falar verdade, só quando vi a régua que ora publico e confirmei (como os mais cépticos de entre vós poderão fazer), milímetro por milímetro, com uma que tenho em casa, me apercebi da dimensão da coisa. É muito! Demais até.

Não devias, cara colega, deslocar-te numas andas dessa altura. Assim dás cabo da coluna.

A PROMESSA

Sentiu-se por aí no ar a promessa de grandes revelações. Eu estava curiosa, claro que estava. Mas veio de lá o Outro, que deve ter tirado a semana para me tirar as pequenas alegrias da vida (sim, tu, Bruce, tu que me informaste que o Thomas Roberts tinha os mesmo gostos que eu!!!), e lá se cumpriu a velha profecia de que promessas leva-as o vento e com a ventania que aqui anda hoje, não seria de esperar nada de bom.
Mas adiante que a minha vida não é isto é tenho muito que me lamuriar. Eu, a partir de agora vou-me dedicar a posts sérios e, como tal, considerem este como a primeira de muitas lições profundas, valiosas e verdadeiras que vos vão adentrar os olhinhos.

O que realmente deixa uma mulher de cabeça perdida, capaz de balbuciar incoerências, em efervescência absoluta, a gritar obscenidades e, no final, soltar-se por completo agradecendo a Deus, Santos e Querubins aquele momento é andar 5 horas com uns sapatos com um salto de 10 cms e depois tirá-los.
Se os meus amigos conseguirem proporcionar um momento desses a uma mulher, garanto-vos que a gratidão dela vai ser tanta, mas tanta, que nem o céu é limite para o que lhe podem pedir.

Uma achega para aquele assunto que nos tem entretido

E agora que todos se pronunciaram sobre o caso Manuela Moura Guedes, as atenções podem voltar-se de novo para um tema realmente interessante. Afinal, com o calor que está lá fora, quem foi que disse que a silly season já terminou?

Um já cá canta (2)

O destino, ou o acaso, ou aquilo que quisermos chamar-lhe, tem o condão de cruzar caminhos. Uma varinha daquelas de fada madrinha, a sério, que faz magia com pós de perlimpimpim e rasga estradas sem fim antes desconhecidas, novos trilhos a percorrer, às vezes mesmo sem se saber nesses pontos de partida que está prevista uma chegada, uma saída para uma entrada que cruzamos às cegas até um dia se fazer luz.

Forças que não entendemos e por vezes nem acreditamos, que nos empurram por este ou aquele rumo, como ventos que sopram, ao leme apenas a intuição que nos guia por entre incógnitas que nos compete decifrar até chegarmos ao ponto de amar alguém.
Arrogantes, ousamos acreditar que somos capazes de controlar os passos a dar pela vida mesmo quando sabemos desconhecida a caixinha de surpresas preparada para amanhã ou depois. Mas acabamos rendidos ao poder da coincidência, ao conjunto infindável de factores necessários que é preciso conjugar para um dia se encontrar uma pessoa que sentimos como certa para nós.

Aprendemos a ouvir uma voz interior que nos indica o caminho para o amor e nos alerta para o sol que já desponta no horizonte onde o futuro se revela por antecipação, descobrimos a emoção e aceitamos a mudança para melhor que se proporciona dessa forma casual.
Abraçamos a sorte como se fosse nosso mérito mas afinal disfrutamos de um pretérito (perfeito) que nos oferecem (talvez) as energias combinadas de pessoas que nos são queridas mas já tiveram que partir para onde nos observam, anjos da guarda, com uma expressão deliciada, a evolução que somos capazes de imprimir depois do cruzamento que julgamos aleatório com a força de um olhar ou o timbre agradável de uma voz.

E afinal o que esperam de nós, provavelmente, é que cada um esteja consciente da felicidade ao alcance da mão quando nos acelera o coração perante a oferenda que o destino, ou o acaso, ou aquilo que se quiser nos concede, por exemplo, sob a forma de uma mulher que mais tarde descobrimos, em muitos aspectos, especial.

Depois olhamos o céu como é habitual quando temos a sensação, humildade, que devemos gratidão pela felicidade que pouco fizemos por merecer, nos passos cegos que não sabemos como dar sem a ajuda de algo que transcende a nossa compreensão.

E descobrimos então, caminhando sem dogmas, pelo nosso pé, que existem muitas formas de cultivar uma fé.

Um já cá canta

A esta hora, há precisamente um ano, estava a preparar-me para
comer uma feijoada de cozido à portuguesa, uma receita da melhor
nouvelle cuisine! É verdade que não sabia que os orégãos não entravam,
mas ninguém me disse para não o fazer…
Estava sol, calor, o sono pesava e foi um dia memorável!

ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS



Será que sou só eu que acho que se anda, desde 5ª-feira passada, a discutir o sexo dos anjos?

É que o Sócrates nunca vai admitir caso tenha culpas no cartório. A TVI não vai readmitir a Manuela Moura Guedes. Por muito que se debata a questão, nunca se vai conseguir provar se houve ou não qualquer atentado à democracia ou liberdade de imprensa ou mesmo uma cabala (o que eu gosto quando eles alegam cabalas) por causa do Freeport. Se houve, a culpa vai morrer solteira. É duro, eu sei, mas é assim mesmo. Deal with it. Sem provinhas, nada feito.

Enquanto isso, o pais continua a arder e 11.000 hectares foram destruidos em 4 dias; continuam a morrer velhinhas nas passagens de nível quando vão a caminho da missa; cada vez estamos mais pobres e a Rhode (maior fábrica de calçado do país) pode encerrar hoje e deixar mais 1000 portugueses no desemprego; vivemos num pais que tolera que os seus idosos sejam mantidos em sitios onde são amarrados e lavados à mangueirada.

Se eu estou preocupada com cabalas? Estou. Mas olhando à volta, penso que essa cabala é uma florinha no meio do molho de bróculos em que estamos todos enfiados.

HOLLY

Há qualquer coisa místico em estar parada completamente sozinha num semáforo vermelho, às 3 da manhã, numa estrada deserta, olhando a lua cheia em frente e a ouvir esta música bem alto.

Se houve momento em que eu entendi que a existência tem razão de ser, foi este. Eu, as estrelas, a absoluta solidão e a música a ecoar na minha cabeça. Nada mais no mundo a não ser um semáforo vermelho e uma lua branca.

It’s not a cry you hear at night, it’s not someone who’s seen the light, it’s a cold and it’s a broken Hallelujah.

A ESFERA

Ou o único texto sério, rigoroso e fidedigno que alguma vez lerão sobre futebol. Portanto, sentem-se. Fiquem confortáveis que eu vou explicar detalhadamente como resolver os problemas da selecção nacional e como chegarmos a campeões do Mundo e arredores. Ou como poderíamos ser, se o Prof. Queirós lesse textos relacionados com futebol escritos por mulheres.

Vamos então começar pelo inicio. O povo português é um povo esperançoso. Não temos muito mas temos a esperança de um dia voltarmos a ser grandes. Seja lá em que for. Ora, como toda a gente sabe, não temos grandes áreas onde mostrar o nosso expertise seja em que for. Logo quando surge a menor esperança de sermos grandes em algo, enche-se-nos o coração e tornamos-nos ferrenhos. Foi o que aconteceu com o Euro 2004.

Houve um homem, Luis Filipe Scolari (lembram-se dele?) que disse a um povo que poderíamos ser campeões e nós agarrámos essa esperança com unhas e dentes. Depois esse mesmo homem pediu-nos que nos uníssemos e apoiássemos esses exploradores de chuteiras e calções. Nós, os conquistadores, apaixonámo-nos pelo entusiasmo do conquistado e fizemos de tudo. Nunca na história se viu tanto vermelho e verde pelo pais plantado. É curioso que foi preciso vir um brasileiro para se aprender o hino nacional e envergarmos as cores da nação com orgulho. Foi preciso ver um brasileiro, de lágrimas nos olhos, a cantar a Portuguesa no relvado, para lhe sentirmos o significado. Foi preciso um brasileiro para nos sentirmos portugueses.

O Euro acabou e não fomos campeões, fomos vice-campeões. Os velhos do Restelo começaram as suas criticas em surdina. O brasileiro que era grande, afinal, se calhar, não era assim tão alto. Começou por ser uma coisa quase condescendente mas que encerrava a critica velada.

O bestial tinha iniciado a caminhada para besta.

Nesta altura, o capitão da equipa coloca em dúvida se não se irá retirar da selecção ainda antes do Mundial. O descalabro que se avizinhava era previsível.

2 anos depois, a equipa parte para a Alemanha com as dúvidas de quem (supostamente) percebe de futebol a pairar sobre si e (ainda) com o apoio do povo que se unira 2 anos antes em torno da esperança da grandiosidade que desejavam.

A equipa voltou para casa com um 4º lugar e a entusiasta recepção inicial transformou-se quase em desprezo. Como se um 4º lugar fosse algo desprezível num campeonato do mundo. O que me leva a crer que ainda temos muito a aprender com a selecção de Trinidad e Tobago que não marcou um único golo na sua participação e foi recebida como se de heróis nacionais se tratassem, porque ao fim ao cabo tinham conseguido aquilo que não tinha sido conseguido antes: tinham lá estado.

Mas isso não era bom o suficiente para esta grandiosa nação. Tinha-lhe sido dito que podiam ganhar e não ganharam. Defraudaram a confiança que a nação tinha posto no ‘podiam’. E nós sabemos que somos pessoas de confiar na possibilidade, ao fim ao cabo, a Fátima Felgueiras havia sido reeleita no final de 2005 mesmo com um processo judicial pendente e mesmo depois de ter fugido para o Brasil. Mas a senhora ‘podia’ estar inocente portanto vamos lá reeleje-la. Os jogadores haviam prometido dar o seu melhor e o melhor na cabeça de toda a gente era o 1º lugar e não o 4º. Logo toda a equipa era mentirosa e tinham andado aqui a enganar o pessoal. Até porque eles não ganharam porque não quiseram. Toda a gente sabe que as selecções da França e da Alemanha não valem mesmo nada…

Do Euro 2008 já não reza a história. Portugal fica-se pelos quartos de final num jogo contra a Alemanha que depois se sagrou Vice-campeã.

Pelo caminho ficou Scolari (lembram-se dele?). Primeiro criticado, depois enxovalhado, praticamente escorraçado, agora quase a assumir o papel de D. Sebastião.

Mas a grande perda, e aí está a meu ver a falha da selecção, foi mesmo a saída do Capitão, Luis Figo. (Até parece que estou a ver os meus companheiros de blog a rebolar nas cadeiras e a dizer que eu percebo tanto de futebol como de física quântica…) O homem que mantinha a coesão e a cabeça fria em todas as situações. O eterno nº 7 que acalmava os ânimos mas também sabia insultar quando era preciso. O homem que levava ao estádio muita mulher. E aí, meus caros, está o grande segredo. Será que é preciso relembrar a algum sportinguista que foi com Figo no plantel que conquistaram a taça de Portugal em 94/95 depois de 10 anos de travessia no deserto? Será que ainda não tinham percebido porquê? Toda a gente sabe que uma mulher a gritar é algo muito mais pujante que qualquer homem. Ora, a que mulher (Okay, já sei… À SSV que não lhe acha piada, à Elle que não gosta de marginais, e à Gaija que só tem olhos para um homem. Vou já arrumar o assunto e dizer que à excepção de uma meia-dúzia de mulheres) é que não apetece gritar como qualquer fã histérica dos Beatles quando vê o Figo em calções? Ou achavam que as vitórias das equipas em que o Figo esteve se deveram ao seu estilo único de futebol? Podemos condescender e dizer que foi, em grande parte, graças às suas pernas. Ora, temos estabelecido que o Figo ganhava porque havia mais mulheres no estádio, as mulheres gritavam mais e quando uma mulher grita, um homem corre. Ora correr quando se é jogador de futebol é meio caminho andado para a vitória.

O Luisinho que não é parvo achou que tinha que arranjar algo que pusesse a ala masculina a gritar também (até para eles não se sentirem inferiorizados), vai daí arranjou uma Helen e o universo atingiu um equilíbrio perfeito (os sacrifícios que os homens fazem para alcançar o sucesso…). A sério, convenhamos, até a mim me apetece gritar quando olho para aquela mulher e não faz parte da minha cadeia alimentar!

O meu ilustre colega, depunha há pouco as suas esperanças (mais uma vez) no estrangeiro. Falhou por pouco, mas não me parece que Liedzon resolva isto. A esperança está (mais uma vez) no estrangeiro mas é mais perto. Arranjem um camarote, ponham lá estes meninos das fotos nestas poses e vão ver o estádio a gritar. Um estádio a gritar significa jogadores a correr e vamos ver as nossas ‘florinhas’ a florescerem e a marcarem algo mais que não seja passo.

Se isto não é um post de futebol como deve ser, eu não percebo nada de futebol!!!!

Luis figo 1

Mas parece que o Liedson vai entrar, calma...

Portugal joga. A Dina marca.

Pois não!

Manuela Moura Guedes: "Não sou uma alforreca"

FAVORES EM CADEIA

Há pessoas que dizem que eu não posso ver nada e que quando postam, eu tenho que postar logo a seguir. É verdade! Não posso ver nada e não ando aqui para enganar ninguém...
Mas também sou vossa amiga (sabem que sou, não sabem?). Sabem que eu sou o elo mais fraco deste blog (sabem que sou, não sabem?). Sabem que eles me tratam mal (sabem que sou maltratada, não sabem?)
Pois isso, vou fazer-vos um favor: um dia pedem capas do DN... Amanhã, querem a chave de vossa casa... E quando derem por vocês, estão a dormir debaixo de uma sacada na Av. da Liberdade... Eu não sou de intrigas e só estou a dizer isto para o vosso bem... (esta gente não é de confiança!)
Portanto, pensem bem: o que é mais valioso? A vossa vida como a conhecem ou verem uma capa antiga do DN?

Se fossem mesmo mesmo meus amigos...

... E assinassem o DN Online iam dizer-me, não iam? É que preciso de um favor. Um pequenino, muito pequenino.

Uma capa, só isso.

Elas e as suas mensagens subliminares...

Foto: 1ª Página do DN de ontem

"Ainda me parece impossível que a gaija que apareceu de calções na 1ª página do DN ontem, hoje seja mãe. "

Mente Quase Perigosa, in caixa de comentários de Post "Um dia de Cão"

Só para dizer que...

... as minhas últimas escolhas para a equipa são duas gordas, feias até mais não poder ser. Porém, são do mais competente que se possa imaginar.

Acho que a isto se chama maturidade.

Um dia de cão

Não sei como é com o resto dos imortais, mas para mim é estranho. Penso em idades, anos feitos, contados, e acho que tudo isso se passa numa outra realidade que não a minha.

A minha idade não me incomoda, nada, não a sinto, não me vergo a ela, mas a dos outros é-me estranha, puxa-me para um mundo onde não me reconheço.

O meu pai faria hoje 84 anos. O pai das minhas filhas faz hoje 49 anos.
Porra.
Não consigo perceber estes números. Não sei o que significam. Com 84 anos é-se um velho e o meu pai nunca foi velho, não seria velho agora.
Quarenta e nove anos. E eu dormi com ele? E fizemos duas filhas? Mas eu não me deito com gajos dessa idade, quase cinquenta, não é possível, o tipo é quase da minha idade e eu não sou dessa idade de certeza..
Merda, esta coisa dos números baralha-me. No outro dia, o Vasco, contava-me como iria ser a festa dos cinquenta anos dele. O gajo é uns meses mais novo que eu! Cinquenta? Mas com cinquenta anos somos velhos, não somos? E eu, ele, o meu pai, o pai das gaijinhas, os meus amigos quase todos, nós somos velhos? Se morressemos numa praia debaixo de um calhau ou num passeio esborrachados por um carro iriam chamar-nos pessoas de meia idade, ou idosos, nos títulos dos jornais?
Porra outra vez!

O meu pai, que faria hoje 84 anos, dizia que eu nunca tinha deixado de viver no período de queima das fitas. Era uma crítica, eu sei, mas tinha razão. Parece que, como lá, o relógio não tem horas, o tempo parou, e o Zé, que um dia me disse que tinha vinte anos e eu quinze e as diferenças eram muitas e agora tem 51 e eu 46 e as diferenças não são nenhumas, continua a ter vinte anos. O Zé não pode ter 51 anos, o Luís, irmão dele, com quem eu ia beber uns copos ao Pavilhão Chinê, não faz hoje 52, o meu pai não faria 84 e o pai delas não acabou de virar para os 49.
Continuo a dizer, não sei como será com todos vocês, mas para mim isto é mais estranho que um conto do Isaac Asimov. Sim, o tempo passou, lembro-me disso, gosto disso, mas não consigo olhar para mim, e para quem me rodeia, e pensar que temos aquelas idades que há minutos atrás julgaria impossível alguém ter. Mais de vinte? Isso é uma eternidade. E hoje, mais do que no dia dos meus anos, penso nesta coisa das idades. O meu pai, o pai das minhas filhas e o irmão mais velho do meu primeiro namorado, aquele para quem nem me atrevia a olhar porque já tinha dezoito anos, fazem, ou fariam, hoje, 84 anos, 49 anos e 52 anos.
São anos demais.
(E será que também eu andei a fazer anos estes anos todos?)

Eu acho...

...que Sócrates acabou de perder as eleições.

A PISCINA

Mas é lá preciso uma gaija atravessar não sei quantos continentes para dar umas braçadas num tanque???

Tanque Exterior
Tanque Interior

Bute lá?

Já que se andou a falar de tamanhos de pila...

...Arranjem lá uma maior do que esta.


(Já agora, não é o Visconde que aprecia muito a neve e assim?)