Cheguei à triste conclusão que o amor é realmente cego!
Os dois únicos homens que me disseram que eu sou, ou era, bonita, usavam óculos...
Amor é...
Quando o nosso pai faz anos.
Hoje é assim, cá em casa. Dia de aniversário de pai. Do meu e do delas. De um pai que já não está e de um outro que nunca esteve.
A vida tem destas coisas, ironias que nos trocam as voltas, e esta é uma das grandes. Juntar no mesmo dia, na mesma data, os dois pais cá de casa. O que ainda hoje é pai mesmo não estando e o outro que mesmo estando nunca o foi.
Ao meu pai, que está, vou dizer que por aqui pensamos nele e rimos com ele. E que as netas também já sonharam que se podiam pôr asinhas de avião de papel no tejadilho de um carro, que querem uma casa na árvore como um dia ele fez para mim, que gostam de livros e de ler, que são curiosas como ele nos ensinou a ser, que gostam de petiscar e de mesas cheias de gente, que têm sentido de humor e são inteligentes e boas pessoas.
E eu posso dizer-lhe que aqui, neste sítio onde vivemos e nunca conheceu, a terra ainda está cheia de vida e temos árvores gigantes e formigas no chão e bichos de conta e bichos sem conta. Não temos avelãs, mas temos as amêndoas, os figos e as tâmaras que o pai gosta.
Eu estou como sabe, porque se alguém sabe é o pai e eu.
Parabéns. Pelo seu aniversário e por nós. Por nos ter feito deste barro e por nos ter conseguido dar tudo aquilo que nos deu.
Eterno Retorno
Salpicam-me o rosto as gotas de água salgada, como sangue vertido pelo mar que rasgo agora com a quilha enquanto rumo a um porto qualquer. Salgadas, as gotas, como as lágrimas que não verti no momento em que percebi o quanto me sinto a vaguear sem norte em busca da resposta ao que ainda nem sei perguntar.
Juro que não chorei no dia em que te dei por perdida, eu próprio já de partida para um outro lugar onde pudesse aportar as emoções resguardadas em doca seca da fúria de um temporal interior.
A força necessária para renegar um amor impossível como o demonstravas de cada vez que me deixavas a sós com o desconforto de um ciúme que nunca tolerarias e por certo abusarias se dele te desse conta de alguma forma.
A única coisa que transtorna é a perturbadora constatação de ter a bússola viciada, pois sempre que vou de abalada gravo na lembrança o caminho de regresso.
E sempre que me despeço deste amor encrespado, em busca de um resguardo, a âncora imaginária que me agarra à tua memória (e me arrasta sempre de volta à sensação poderosa que um beijo teu me dá) transforma sempre cada adeus num simples até já.
Com uma beijoca para a chefa
Serve a presente para agradecer encarecidamente à nossa gloriosa líder a oportunidade concedida para nos envolvermos de forma montes de promíscua, como tem que ser, em eventos exteriores a este nosso posto de trabalho.
É divertido, é interessante e é uma data de coisas, mas temos que admitir que é uma experiência muito húmida quando escolhemos o regresso do Outono para vivermos estas coisas.
E agora vamos então debater a questão das abelhas e das flores e depois escrevemos um relatório detalhado acerca das nossas conclusões.
Com muitos beijinhos e todo o respeito, enviamos daqui a nossa mensagem de amor fraterno e puro para todo o curral.
Beto Barbatana mais a Cabra Arrobana
Mais uma do Jerry Seinfeld
Em casa
É o tal "i" Valupi!
Isto de ter andado nos últimos tempos com pc's a funcionarem a válvulas fez-me perder algumas pérolas blogosféricas. Ando agora, logo agora que as férias já se foram, a tentar recuperar tanto saber perdido e aqui e ali tenho tropeçado nalgumas preciosidades. Hoje fui a uma velha casa, onde há muito não ia por também desleixo meu. Hoje fui ao Aspirina B. Não tive tempo para ler muito, porque os meus olhos treinados foram logo cair num título do Valupi - Os Republicanos afinal pensam como as gajas - e lá fui eu post abaixo, com a sofreguidão de quem quer finalmente perceber como funciona esta minha cabeça tonta, apesar de achar que aquele gajas tinha qualquer coisa a menos.
Bingo! Ali estava, clara como água, a explicação para tão estranho título "os estrategas Republicanos, afinal, pensam como as gajas — são oportunistas e superficiais."
Valupi, andámos há uns tempos, por aqui, nestas caixas de comentários, a trocar opiniões sobre as gaijas e as gajas, e tu não conseguias perceber a razão de um i que consideras excrescência. Eu bem que tentei explicar que é o i que dá a pinta à gaija e que lhe arredonda o pronunciar, mas nem assim te convenci. Percebo agora porque não conseguiste ver a diferença, porque não entendes este i que te parece que lhes altera o sentido. Altera Valupi, altera o sentido e o sentir. Altera até o pensar.
Caro Valupi, tu nunca conheceste uma gaija. Tenho a certeza que se tivesses conhecido já há muito te terias deixado de gajas oportunistas e superficiais.
Ou não? Será que esta é uma escolha tua?
Suiça, 3 de Setembro de 2008
Os porcos na Suíça vão passar a ter à sua disposição um duche, para se refrescarem nos dias de calor. Também os peixinhos vermelhos do país podem ficar descansados: só devidamente anestesiados é que poderão ser mandados pela sanita ou metidos no congelador, de acordo com a nova legislação protectora dos animais que ontem entrou em vigor.
Porcos a tomarem duche acho bastante apropriado e até vulgar, mesmo por aqui. Quantas e quantas vezes, cá em casa, não meto duas gaijinhas na banheira enquanto vou mastigando o porcas do costume.
A história dos peixinhos vermelhos é que me intriga mais. Os tipos pôem os peixes vermelhos na sanita? É capaz de ser boa ideia, que os nossos saltavam sempre do aquário e uma sanita sempre é mais difícil de galgar, mas não sei se gostaria de saber que tenho um olho de peixe a olhar para mim em alturas menos convenientes.
O congelador parece-me melhor pensado. Também costumo guardar lá um peixito ou outro que posso aproveitar depois para fazer souflé e bem desfiadinho nem se nota a côr. A anestesia é que está aqui a baralhar tudo. Eu quando os meto no congelador já não mexem muito, não vejo grande necessidade de os anestesiar antes. E também já pus alguns na sanita, mas esses também estavam praticamente sem dar ao rabo, não acredito que a anestesia fizesse grande efeito. Será que andei a maltratar peixinhos vermelhos sem querer? Ou será que quem tem de ser anestesiada é a criancinha dona do dito cujo? Isso já posso perceber, que sempre poupa umas horas de choro desconsolado e as tentativas de fazerem um funeral e põrem bandeira a meia haste para o idiota do peixe que saltou do aquário para a caixa dos legos.
Mas estes suiços não se ficam por aqui, que os periquitos, os hamsters, os lamas, ou os iaques, entre outros, têm de estar em contacto com animais da mesma espécie não podendo viver sós. Nesta têm toda a razão. A última vez que tivemos um iaque, o Armando, apaixonou-se por um cobertor de pápa castanho e vermelho. Ainda tentámos que o trocasse por um edredon, que sempre era mais fácil mudar a capa e lavar de vez em quando, mas ele recusou sempre. Eu já disse às crianças que cá em casa, a partir de agora só quero casalinhos. O único que vai continuar sózinho é o cão, que esse já vale por quatro ou cinco.
Não sei é se o problema com o idiota do bicho não será meu. Parece que me faltam estudos - os cães suíços têm direito a protecção particular, porque todos os candidatos a donos são obrigados a terem formação prévia.
Deve ser este o busílis. Falta-me o curso de formação. Vou ter de saber se me posso candidatar a algum da CEE, ainda devem estar dois ou três a funcionar, e até me pagam as deslocações, os almocitos e com sorte compro um Mercedes com os trocos. Este animal, tenho-o dito muita vez, vai ser a solução da minha vida. Ainda me vai dar muitas alegrias!
Portugal, 3 de Setembro de 2008
Hoje deve ser temático, só falo de animais. Sim, que não é só na Suiça que os animais são protegidos. Por aqui não gostamos de fazer má figura e se os outros protegem nós não podemos ficar atrás.
Joana, licenciada e professora numa escola no Porto, foi casada durante sete anos com um indivíduo, também licenciado e actualmente quadro superior numa multinacional, que por múltiplas ocasiões a agrediu física e psicologicamente. "Levou-me a que me questionasse se o defeito seria meu. É que a humilhação era tanta, tanta... dizia que tudo o que eu fazia não prestava, insultava-me com os piores nomes e tentava pôr as crianças contra mim", conta Joana.
Protegidíssimo, este animal. Este e muitos outros. Os muitos que foram responsáveis por esta vergonha - Foram 35 as mulheres vítimas de violência doméstica que acabaram assassinadas às mãos dos companheiros, de Janeiro a Agosto deste ano - e os ainda em maior número que passam incólumes entre as gotas da chuva.
E conheço alguns. Infelizmente conheço. Animais que se passeiam por aí sem trela nem açaimo, que não fazem parte de listas oficiais, que nem vacina contra a raiva são obrigados a levar. Animais que têm sempre uma desculpa para agredirem, para humilharem, para viverem a excitação de se sentirem machos à custa da mulher que os vai sofrendo.
Mas estão bem protegidas estas bestas, que entre marido e mulher não se mete a colher e a vergonha pública ainda cala muitos gritos. E eles por aí andam, e quantos a indignarem-se com estas notícias, estas aberrações, a gritarem a sua revolta quase tão alto como as mulheres deles, lá em casa, vão gritando cada vez que eles, cheios de paciência e contra vontade, lhes vão mostrando quem manda. E coitados deles que ficam de rastos sempre que as deixam de rastos, que não lhes perdoam o que elas os obrigaram a fazer, que os agredidos são eles e se ficou qualquer mancha mais roxa onde antes a carne era rosa foi só porque tiveram de se defender daquelas loucas.
Conheço muitos. Infelizmente. Já trabalhei com eles, já falei com eles, já jantei com eles, já vivi com eles. Não têm marcas na testa nem avisos a dizer cuidado. São simpáticos, bem falantes, boas pessoas, génios e loucos. Não estão, sequer, em vias de extinção, que isto são bestas protegidas. Vivem nas nossas casas, comem da nossa comida, embalam os nossos filhos, dividem o gabinete connosco, bebem copos nos mesmos bares onde vamos, são amigos dos nossos amigos.
São também os mais nojentos bichos que já vi, os vermes que mais desprezo, os pedaços de lixo que nos conspurcam as vidas.
Protegidos ainda? Seguramente. Mas um dia, um dia que espero que não seja só um dia, serão devidamente etiquetados e guardados onde nunca mais, na miserável vida deles, possam confundir a falta de tomates que lhes é congénita com a valentia que nunca tiveram.
Acabou o Verão. Chegou, outra vez, a nossa paz!
São nove da noite.
Os miúdos - as minhas e o emprestado - estão na piscina. Acho que mergulharam com a roupa que traziam vestidos, mas hoje está tudo bem e já perceberam que podem fazer quase tudo, que eu faço a seguir e rio com eles.
O Sérgio Godinhos grita pelo Casimiro como há muito não gritava, porque imitações ninguém gosta aqui e a Etelvina está quase a chegar e o fundo do mundo, e o fundo de mim e o fundo do mar também por cá andam.
Os cães estão todos deitados na carpete da sala, que já foi branca,sem perceberem porque finjo que não vejo. A televisão voltou a ser desligada e vai continuar assim, a cozinha está espezinhada de água, que elas vão entrando e saindo a pingar, as jarras têm flores novas, tenho um cesto cheio de cebolas acabadas de apanhar e com a rama bem verde, figos para o pequeno almoço, uvas dos vizinhos, milho verde para assar e seco para pipocas.
Vamos acender as brasas para a carne e gritar na relva.
A lua, muito pequena, a minguar na fase dela que hoje não é a minha, estava laranja escura entre os eucaliptos e as palmeiras.
Afinal, é tão fácil ser feliz!
E sim, gosto muito, mas muito, de viver no meio de nada. E é aqui, neste sítio quase mágico, que me encontro dentro de mim.
Setembro
Até aos 20 e muitos anos era simples escolher o que ia vestir, t-shirt ganga e ténis se era verão, sweat shirt ganga e ténis se o frio apertava. Primeiro foram os ténis que tiveram de desaparecer no espaço laboral, até porque não davam jeito (e porque deixaram de fazer ténis giros - lembram-se dos Sanjo?), depois as sweat também foram sendo mais espaçadas, e até as t-shirts acabaram por sair do rol da vestimenta de dias úteis de trabalho. Ultimamente impera o fato camisa e gravata apesar de não ser de todo uma opção válida dentro dos gostos indumentariais do moço, mas as circunstâncias assim o obrigam. Mas nem sempre. Durante a silly season dá para recuperar alguns dos velhos hábitos e andar por aqui e por aí de forma mais ao jeito de dia de folga e da festa da empresa (sim, não é só em Bruxelas que se preocupam com o consumo de ar condicionado).
Hoje saí do banho e lá tive de ir buscar uma camisinha a gravata e o fato, apertar o botão do pescoço e dar o nó de windsor (isto é só para mostrar cultura porque dei um nó simples), e enquanto pegava na mala nas chaves e no telemóvel pensei um nadita desiludido.... bolas já é Setembro.
À cabra-cega
Há muito, muito tempo, alguém me disse, olhando a minha mão, que acontece sempre alguma coisa importante na minha vida em Maio. Lembrei-me imediatamente do nascimento do meu filho, da compra da minha casa, do início de actividade na empresa onde colaboro e de pessoas importantes na minha vida que tinha conhecido em Maio.Este ano, Maio voltou a cumprir-se. Andava a cuscar, a passar o tempo, a ler os outros, quando encontrei por acaso uma posta da Teresa. Li, e muito contra o meu costume, comentei. A partir daí aconteceu tudo de forma muito rápida. Trocamos umas mensagens, quatro ou cinco gargalhadas, e ainda em Maio, no dia de aniversário do meu filho, recebo um convite para entrar no cabra! Sou gaija de ler, não de escrever, avisei. Mesmo assim o convite manteve-se e aceitei. Criei um novo vício, daqueles que se agarram à pele e ao coração. Não há dia (desde que tenha net…) que não venha cá várias vezes para vos ler, para dizer meia dúzia de disparates e manter o sorriso, que se já antes me acompanhava, agora se transforma em riso e gargalhadas tantas vezes. Aprendi a rir para dentro por causa da criança que já dorme, a justificar porque é que o meu computador tem muito mais graça do que qualquer outro, a subornar o filho sempre que não trago o portátil para casa e ele também quer o computador… Conheci gente que não conheço de lado nenhum! Dos nossos cabrões (bode é um nome muito feio!) conheço pessoalmente um, que pelos seus poderes divinos, tem mais mobilidade. Da chefa, ouvi a voz, mas temos a certeza que nos conhecemos noutras encarnações! De todos os outros, conheço tanto como qualquer pessoa que começou a ler o cabra, o fios e o charquinho em Maio, mas são as gaijas e os gaijos que fazem parte da minha vida, todos os dias!
How to be a woman
i'm back!
Uma capicua kafki@na
Estou farta de pensar nisto - e se me dessem 24 horas para sair de casa?
Não é um filme de Hollywood. Não é um e se fosse assim, que fazias?
Gustav, New Orleans, milhares e milhares de pessoas a fugirem de um caos que pode ser ou não.
E se fosse comigo? E se fosse connosco?
As aulas das miúdas que estão quase a começar, os meus diários, as fotografias, o estupor do cão, a roupa a enxugar, a frigideira velha para os ovos estrelados, as paredes da minha casa com noventa centímetros de espessura, as guitarras encostadas num canto, a camisola que nunca vesti, o carro sem gasolina, o mamã tenho fome, a caixa secreta debaixo da cama da Xica, os livros da Clara, o para onde vou agora, as pétalas de rosas secas, o carregador do telemóvel, o lençol que a avó Maria bordou, os livros... os meus livros, a nossa vida toda.
É tão fácil ver estas coisas num ecrãn de muitas polegadas, não é?
O plano de evacuação de Nova Orleães, que começou este Sábado, entupiu as estradas e auto-estradas norte-americanas com milhares de veículos, mas muitas pessoas não têm meios para sair.













