Aqui sim, cheira férias! O sol enche-nos até à alma, o mar está chão, o areal quase deserto. Encontro quase tudo na mesma: os verdes, milhares tons de verde a perder de vista, as sebes de hidrângeas, as nascentes, os riachos, as lagoas, as vacas (que já vão sendo uma constante nas minhas férias!) e as cabras também pois claro, mas estas em muito menor número. Não que se trate de uma espécie em vias de extinção, não senhor, mas porque não andam por aí a procriar à fartazana, correndo o risco de misturar e até enfraquecer os genes que as distinguem. As pessoas sorriem-nos, mas ainda não percebi se será por simpatia, por educação ou, a hipótese mais aceitável, porque não percebem metade do que dizemos! É muita pronúncia do Norte junta... e eu sinto o mesmo em relação aos nativos. Por vezes chegamos a um acordo surdo, sorrimos e acenamos, e pedimos a quem está lá em cima para não estarmos a concordar com nenhuma barbaridade, outras vezes lá nos resolvemos a falar todos d e v a g a r...
Chegou a minha vez!
Dias
São assim os nossos dias. Mergulhos para a piscina e secamos ao sol como tomates em Itália. O ar é de calma, tanto que até a internet é mais lenta, ao fundo, quando os miúdos deixam, ouvimos os chocalhos das ovelhas e os pássaros.
Estivesse menos vento e teríamos o tempo perfeito de um Agosto passado no Alentejo, mas está certamente melhor que em Lisboa.
Talvez a palavra Feliz
Neste palco improvisado onde te mimo, com as imagens pintadas em fundo branco, as letras, o encanto, as belezas sob esta luz que me encandeia observadas nessa mesma plateia onde me sentarei para te poder aplaudir de igual forma.
Palhaço rico, protagonista, pintado no rosto um sorriso tão vivo, tão ao teu gosto como o que me sinto capaz de te oferecer no céu da madrugada a dois em que a lua minguante se erga no horizonte depois (de um beijo), às minhas ordens, só para te impressionar.
Rasgado. De um a outro lado. Como num smile que se desenha no alcatrão com um simples pedaço de giz.
No cruzamento de uma estrada cujas tabuletas só tenham escrita uma palavra.
Jogos Olímpicos II
Passada uma semana, estou a ver de novo a ginástica olímpica. Feminina. Ganhou uma coreana, no salto a cavalo, cavalo agora é diferente... A brasileira desconcentrou-se, ficou ali quase a chorar.
O nosso Francis Obikwelo também ficou para trás. Literalmente. Parecia que tinham todos tomado a poção mágica do Astérix, menos ele. Mas assim não é justo. Aqueles jamaicanos eram muito altos. Acho que os deviam medir e pesar e corriam por categorias, alturas e tal, era mais justo, assim ele escusava de desistir das competições.
Eu até o compreendo, sou um bocado assim, se não somos os melhores, para quê andar ali a ser medíocre? Eu tinha jeito para o desenho, mas em três meses de escola artística vi logo que havia melhores e desisti. No ténis também gostava, mas não corria o suficiente, apesar de ter golpe de vista e pontaria , e tive uma lesão na perna, já não voltei.
Mas a culpa também é destas provas internacionais que vêmos, com aquele atletas a fasquia fica muito alta, e depois quando jogamos andamos ali só a falhar bolas....
A vida é assim não é, "falhar bolas e tentar sempre". Mas não vejo ninguém satisfeito. Mães assoberbadas de trabalho dizem a solteiras de 40, cheias de dinheiro e tempo livre " nem sabes a sorte que tens!". Divorciados queixam-se de criar os filhos sozinhos ou de nunca os verem. Os viúvos e viúvas, insistem na dependência dos filhos, que lhes dizem "Vai passear, vai à Grécia, vai ao Egipto, vai com as amigas em excursões!". Mas não, sem o falecido só lhes apetece ficar em casa. A apanhar bolas. De preferências as que os filhos deixam cair.
I´ll be back
Olá, decidi ir de férias de novo, uma semanita com a mãe e os dois gatos, para a praia dos costume... Os filhos estão com o pai....
Aqui estou um com imenso calor, (dizem que no norte chove?) e logo de manhã , às 9 h, levanto-me para ir ao wc e vem a mãe "Já acordaste, se não vais à praia daqui a pouco são horas de almoçar!". Agora estou. Como e vou para a praia. De toalha e óleo bronzeador. Eu sou muito anos 80.
Tomar banho, secar ao sol. Tomar banho, mais sol, praia atulhada de agostinos.... Hora de almoço.
Vou para casa, almoço, a minha mãe adora fazer almoços, arrumar e estar à varanda, eu lavo a loiça e vou ler um escritor que descobri Haruki Murakami, Kafka à Beira mar. Mas adormeço e acordo às cinco e repete-se a cena anterior...
Daí a dois dias, já estou no Alvor com duas amigas, solteiras de 35. Jantamos e vamos para um bar de caipirinhas, pró balcão, a decoração é reggae. Bob Marley, etc. Eu ao balcão, com duas caipirinhas (só o cheiro do bar embriaga) já só tiro fotos aos bartenders e rio. Porque sou a única que me divirto? Deve ser porque sou divorciada e tenho dois filhos e estou de férias, e não estou aqui para conhecer ninguém... Depois levo a amiga para minha casa, ela tem muita paciência para a minha mãe, e vamos à Martinique com ela e tudo...
As minhas manias, li ali em baixo, deve ser : - dormir completamente às escuras, não ligar ao dinheiro desde que me paguem, ser totalmente egocêntrica, discutir e esquecer em seguida, ter ódios de estimação, achar que sou tímida, rir descontroladamente com programas de humor e amigas, ler antes de dormir, achar que sou a Fiona e que anda por aí um príncipe (Shreck?), fazer o menos possível, mas depressa e tudo ao mesmo tempo...Sei lá. Tenho 16 anos e estou de férias com a mãe e uma amiga....
escrevo, não escrevo
Não me apetece escrever sobre as Olimpíadas, que me passavam completamente ao lado, não fossem uns comentos que por aqui andam. Não quero saber de assaltos a bancos, também me sinto assaltada por eles e não é por isso que sou notícia. O Carlos Queiróz, não convocou o Ricardo, sim, e novidades?
Abro a página do IOL e dou um vista de olhos pelas notícias: A Aston Martin pretende começar a comercializar o carro mais caro do Mundo, qualquer coisa como 2,3 milhões de dólares, mas a notícia propriamente dita é que já há apostas para quem será o primeiro comprador. Na lista está David Beckham, Jay Kay (vocalista dos Jamiroquai), Abramovich, Cristiano Ronaldo, Alan Sugar(empresário britânico), o mais recente 007, Alain Craig e Amy Winehouse. Mudo de Notícia e fico a saber que a casa mais cara do mundo foi comprada e custou ao novo-feliz (espero) proprietário a módica quantia de 500 milhões de Euros e fica na Côte D'Azur. Continuo a minha cruzada pelas notícias e, pasme-se, mais de 343 mil pessoas têm dois empregos. Mais uma notícia e sou esclarecida sobre quem são "os novos pobres de Portugal" segundo a responsável do banco Alimentar «têm um emprego, até têm salário fixo ao final do mês, mas cujo rendimento não chega para cobrir as despesas e muitas das vezes até procuram um segundo emprego, não declarado, e que mesmo assim não conseguem fazer face ao custo de vida».
«São pessoas que se não se atrasavam a pagar as suas despesas fixas como mensalidade da casa, água, luz, gás, electricidade ou até as creches dos filhos e que agora se atrasam sistematicamente porque o dinheiro não lhes chega».
Posto isto, até me apetecia escrever um post, mas perdi a vontade. De qualquer forma deixo um pedido; A próxima vez que forem abordados por aqueles miúdos chatos à porta dos supermercados que insistem para que levem um saco vazio e o tragam com alguma coisinha lá dentro... não se façam de caros, afinal nunca sabemos quem é o próximo nome a entrar na lista dos "Novos pobres de Portugal" e será certamente mais fácil a entrada nesta lista do que na lista das apostas para a compra do Aston Martin .
Minhas amigas, não contem comigo!
A sua amiga merece ser capa de revista?
O Sapo acha que as gajas das capas da Maxmen não sabem ler, não percebem nada de internet ou têm tanta vergonha que é preciso inscrevê-las à sucapa?
A sua amiga??!! Se fosse "as suas amigas merecem ser capa de revista?" eu ainda era capaz de perceber a figura de estilo...
Se se chamasse João Pinto estava lixado!
Ainda bem que os suecos são um povo educado, civilizado, cívico, respeitadores de todos os direitos e cumpridores de todos os deveres, o supra sumo da civilização ocidental.
Não soubesse eu isso e iria achar que tinha acabado de ver um atleta sueco, em cima do pódio olímpico, a atirar para o chão a medalha de bronze por não aceitar a decisão do árbitro.
Os sacanas são mesmo bons.
Estou a ver a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, que ainda não tinha visto. E apesar de saber que os chineses descobriram outra pólvora e o fogo de artifício é uma brincadeira de computadores, que a chinesinha linda que canta e encanta não canta nada, que a que cantou era feinha e tinha os dentes tortos e ninguém a viu porque não encantava, tenho de reconhecer que eles não sabem só vender pilas a um eulo, sopa de ninhos de andorinhas com mais claras que ninhos e chegar a roupa ao pêlo com tanques de guerra.
Eles são bons no que fazem. No melhor e no pior.
O Gin Tónico da @na
chegou a @na e disse:
é o que acontece às capicuas
(descaradamente adaptado)
Mário-Henrique Leiria in Contos do Gin Tónico
A maratona Olímpica.
Vão entrar pela Porta da Maratona, no estádio do Ninho de Pássaro. Um deles há-de vir já destacado, ou talvez não, talvez entre perdido no meio do molhe mas, nos últimos metros, vai buscar o resto de pulmões que ainda tinha guardados, faz um arranque, e corta a meta na frente dos outros todos.
Ganha o ouro. Fecha os jogos. Ele, o vencedor da maratona.
Atrás, com prata, bronze ou só um cansaço enorme, estarão todos os outros, os homens. Os atletas. Os participantes na maratona masculina.
As mulheres? As mulheres correram na véspera, que a maratona pode ser a prova rainha mas são só homens que ali estão.
E é assim em todas as provas olímpicas, homens para um lado, mulheres por outro. Records femininos e masculinos, que não há aqui misturas e não me parece que tenha sido uma exigência da China.
Lógico não é? Justo, pois claro, que basta ver os tempos, os metros, os pesos, as alturas, para se perceber que se o ouro fosse disputado a meias as mulheres não lhe punham as mãos em cima. E se uma miúda de 12 anos pode disputar a medalha a uma mulher, e até a podia ter ganho, mulher nenhuma o faria com um homem, que não somos parvas.
Rosa Mota e Carlos Lopes. Duas medalhas de ouro. Duas maratonas corridas. Tempos diferentes. O Lopes é melhor? Não, não me parece, mas a Rosinha não teria a medalha se ele fosse a correr ao lado dela.
A nossa maratona tem os mesmo 42 quilómetros e uns tantos metros que a deles. As regras são as mesmas, porque certo é que seja assim. Mas os pulmões são diferentes e não podemos competir com eles.
Mas se isto é assim e se se percebe, se se aceita, se se acha justo, porque é que nas maratonas que corremos todos os dias vai tudo ao molhe mesmo que sem fé em deus?
Sempre achei que nós, mulheres, nesta coisa da igualdade enrolámo-nos e deixámo-nos enrolar. Nos nossos jogos da vida andamos lá, lado a lado, a esgotarmo-nos a correr para, na maior parte das vezes, não chegarmos sequer ao bronze. Somos piores atletas? Não, somos só diferentes, muito diferentes, e a pretensa igualdade de hoje é mais injusta ainda que a descriminação de facto de ontem.
Não me tratem como um cristal, que não o sou, não me dêem um "empregozinho de mulher", que não sei o que isso é, mas também não façam depender da minha disponibilidade, da minha exclusividade, da minha entrega total aquela corrida a medalha a que posso ter direito, porque de certeza absoluta que não posso, e não consigo, correr o mesmo que eles.
E vamos sendo vencidas nestas corridas, e vamos suportando a euforia dos vencedores, e vamos continuando a correr a maratona que não podemos ganhar. As regras podem ser iguais, mas o jogo está viciado à partida, que o que é desigual não pode nunca ser tratado como igual e eu, dê por onde der, sou uma mulher, não sou um homem.
Palavras Sopradas
Percorro-te o corpo com o olhar e imagino-me a navegar os dedos pela pele suave que te cobre nas fantasias, aquela que me oferecias sempre que decidias entregar-te de alma também às mais intensas sensações.
Olhos fechados às emoções negativas, a todas as barreiras erigidas contra o impacto das palavras mais a força do olhar. Este mesmo que me conduz na tua pele banhada pela luz clandestina de um albergue qualquer.
O teu corpo de mulher arrebatada pelo apelo de um desejo proibido, de um prazer sublimado pela cedência à tentação. Irresistível, a atracção impossível de rejeitar no momento de abandonar a pele à navegação costeira destes dedos feitos quilha e destes lábios que sopram o vento suão que te arrepia.
Olhos fechados à razão que te dizia para obedecer à proibição de qualquer prazer banido da cartilha convencional, o desvario emocional sem uma explicação aceitável no conjunto de regras que a tua libido preferiu, e muito bem, ignorar.
Imagens que me permito sonhar porque é livre o pensamento e eu reservo-me o discernimento daquilo que me impele a sorrir sem mazelas.
E é esse o meu devir reflectido nestas telas que pinto embalado pelas ondas do mar que se erguem, num abraço ao rio, quando ambos se reúnem numa foz concebida por nós como uma referência simbólica a uma ilusão sem castrações, liberdade a acontecer.
As palavras, como os cães, só ferram o dente a quem as possa temer.
Às vezes
Às vezes penso que estou sonhando
Revendo imagens que se perderam
Às vezes vejo-te a chegar
Dás-me um beijo
E deixas-me tão só
As vezes penso em ti, sem querer
E assim volto a viver
Outra vez a paixão
Dos que amam sem saber
Sem poderem prometer
Às vezes chego até mesmo a sentir
O teu corpo em minhas mãos
E ouço-te a pedir para fazer o que eu quiser
No prazer de te amar até cansar
Às vezes acho que é só um sonho
Que na verdade preciso de acreditar
Às vezes quero voltar a viver o passado
E começar o nosso amor outra vez
Para poder fazer as coisas
Que a gente não fez
E te amar ainda mas
Muito mais do que te amei.
50, ora porra!!!
hoje fiz 50. quando descia do 10.º andar do hotel para o 2.º, onde se toma o pequeno almoço, ia olhando para o espelho do elevador via um gajo com aspecto de estar quase a atingir os 40. mas olhando com mais atenção para aquele reflexo consegui ver-lhe a alma e ler-lhe a idade: quase 30. porque é que a idade cronológica nos tem que maltratar psicológicamente quando a nossa idade real é-lhe inferior 10/20 anos? é uma verdadeira merda (desculpem-me a expressão)!!! há quem goste de fazer anos, mas eu não. há quem goste de reunir pessoal e fazer uma festa, mas eu não. tenho um problema grave com a idade e isto porque não consigo travar o tempo que passa mais depressa do que eu envelheço. não sei a quem me deva queixar desta injustiça. ainda gosto de conversar com o pessoal de 25/30/35/40/45 anos. gosto de ir para a night e ver gaijas "boas" e ter aquela eterna esperança de que ainda estou suficientemente actual para a média etária das gaijas que pela naight se passeiam... é verdade que já não vou tendo esse feedback e isso começa a chatear-me. sim porque no fundo é o aguardar por esse feedback que nos anima. hoje ao jantar disse que ia começar a pintar o cabelo, mesmo tendo poucos cabelos branco. responderam-me que não o fizesse porque assim ficava com mais charme. mas... que gaita de charme é esse de que não vejo retorno, mesmo sendo eu um gajo tão fácil. eu teria a minha vida facilitada se fosse um gajo conformado (estaria então a incentivar os meus filhos a tornarem-me avô). mas não desejo para eles o início de vida de conformismo... enfim, 50, ora porra!!!
para o Arrebatador
Eu gosto de cantar os parabéns, gosto, mas detesto que mos cantem. Não é por fazer anos, que até gosto de os comemorar e faço questão de ter amigos por perto para os celebrarem comigo.
As únicas criaturas que têm liberdade para mos cantarem são os meus filhos, mas confesso que mesmo assim... daqui a uns aninhos tenho de ter uma conversa com eles.
Gostava de saber porque carga d'água quando se cantam os parabéns a maioria opta por terminar com as palminhas que vêm logo a seguir ao "para o menino José uma salva de palmas", e muito poucos cantam a parte mais bonita da música. Por isso, menino Arrebatador das Moitas, aqui fica o verso que mais gosto desta música, não vá ninguém to ter cantado e de toda a música esta é mesmo a parte que mais importa:








