As Férias dos Outros
Em Agosto chegam ao sul, os citadinos do norte, que fazem as suas férias iguais a si próprios... Chegam de BMW para os seus T2 em Vilamoura, com a família toda e os avós. De manhã levantam-se e vão ao pão e tomar café, voltam, fazem carradas de sandes e vão, cerca do meio dia, para os seus toldos na praia. Onde ficarão os quinze dias, com os mesmos vizinhos... Passam as horas de calor na praia, os miúdos a dormir e os pais a lerem os livros do Top. Tomam banho e jogam à bola, barram as crianças de creme para apaziguarem as consciências, e às 5 h retiram para casa e a piscina. Jantam grelhados na varanda e depois vão tomar café à Marina. Passeiam para trás e para a frente e comem gelados. E repetem o mesmo 15 dias, com idas ao centro comercial comprar comida e roupas, que estão em saldos. Depois voltam para casa e regressam às rotinas do costume. As férias acabaram.
Parole, Parole, Parole.
adj., que faz vegetar;
que está no estado de vegetação;
diz-se da vida sem actividade, que se processa sem interferência da vontade do indivíduo;
relativo ou comum aos vegetais e aos animais;
fig., que lembra a vida das plantas.
Justiça italiana autoriza morte de mulher em estado vegetativo.
Um tribunal italiano autorizou nesta quarta-feira, 9, que se deixe de alimentar e hidratar uma mulher que está há 16 anos em estado vegetativo, o que reabriu um debate sobre a eutanásia e sobre o testamento biológico.
A mulher é Eulana Englaro, que hoje tem 33 anos e que em 1992 sofreu um acidente de trânsito que a deixou em um coma irreversível. Seu pai e tutor travou uma longa batalha legal para conseguir a interrupção da alimentação.
A Audiência Provincial de Milão autorizou a interrupção da alimentação e hidratação tendo em vista "a extraordinária duração de seu estado vegetativo."
O tribunal levou em conta também a "extraordinária tensão de sua personagem para a liberdade" e a "visão de vida" de Eulana, "irreconciliável", disse, com a perda total e irreversível das faculdades mentais e com a sobrevivência "somente biológica de seu corpo."
O pai de Eulana, Beppino Englaro, disse que sua filha será "finalmente libertada dos mecanismos médicos aos quais esteve presa por 6.019 dias."
Vegetais. Tribunais. 6.019 dias. Eutanásia. Morte. Vida.
O "levanta-te e anda" é uma história bonita, mas tem dois mil anos.
Justiça? Autorizar a morte?
Qual morte? A que foi dada em vida e sem tantas perguntas?
Vegetal!
Temos tanto medo das palavras. Morremos de medo, vegetamos por aí, só para não olharmos de frente o que não queremos ver - que fazemos batota quando queremos passar por deuses.
E desligar a máquina é só voltarmos à nossa condição de homens.
O resto, tudo o resto, são palavras que inventámos.
Estado civil ou estado de sítio?
Até prova em contrário, devidamente certificada com os documentos do costume, acabei de perceber que sou a única deste blog com um solteira no BI.
Só pode ser bom sinal....
Praia Sem Net
Apesar de detestar rotinas, todos os anos venho parar à mesma praia, o mês é que varia. E Junho, Julho, Setembro é que são bons, mas com dois miudos na escola só se consegue na 2ª quinzena de Julho. Mas finalmente cá estamos, e logo que chegamos vamos a correr para a praia, com as toalhas e chinelas que a casa é perto. A maré está alta, e os concessionários ocupam a praia quase toda, por isso ficamos logo ali à frente das cadeiras, e vamos ao banho. Muita boa! Depois vamos explorar a praia, fazer o caminho das rochas, mas está mais perigoso a cada ano, será que quando era pequena também era assim tão a pique ? Tomamos banho e voltamos e agora há o homem das bolas de berlim, antes não havia, e comêmos uma... Começam depois a enterrar-se, a fazer múmias (a mim não!), a maré a baixar e a praia a aumentar. Realmente há muitos estrangeiros aqui, melhor, e famílias com bébes a chegar. Cerca das 7 h começa a sombra a esticar e temos de começar a pensar na subida para casa. No dia seguinte iremos para outra e levo guarda-sol, para ficar de manhã até mais tarde. Praia sem escaldão não é praia. Aliás já fui comprar um guarda-sol dos bons, à antiga, só não tem o cabo de ferro para não empalar ninguém quando, inevitavelmente, voar. Eu disse "este é pesado!" e as senhoras todas espertas e a piscarem os olhos "tem que arranjar alguém para a ajudar a levar! ". Ah, ah, pois é... digo eu. Estou de férias. Só se forem os meus filhos.Mudança
Por imenso tempo desejei ter a sensação de fazer tudo "certinho", mesmo sabendo que o que nos parece certo hoje será errado amanhã.
Foi assim durante uns aninhos, a rebeldia agora vence-me, ahh.....
Não quero fazer mais o certinho, quero sim dar o pulo para o outro lado da vida.
Ser a certinha de dia, escritorio, responsabilidade, astuta, um vestir quase correcto.
Chegam as 20:00, o Mundo gira, a Lua vai-se avistando e aí surge o meu outro Eu, aquele que não suporta estar em casa, o ter de vestir para provocar, seduzir e depois enganar...
Ai, como eu quero, agora, entrar no meu (outro) mundo!
O som alimenta a minha alma, entra e vagueia em cada sentimento meu, vibro, danço, sorrio e volto a ser Eu!
Sim...
Não existe Amor. Paixão? Hum, não me parece. É mais o jogo de jogar por jogar e ter de sair a ganhar.
Enquanto não ganho, não descanso.
Depois, amanhã, quando voltar a ser a outra eu, vou-me lembrar...
Não, não és tu o homem da minha vida porque esse não existe, porque eu sou eu e mais eu. Não existe espaço para um TU, não existe espaço para acreditar...
A loucura, o chegar e abanar, o não ter tempo, esse sim, é o Mundo onde quero viver....
Sei o que esperas, sei que a perfeição seria ser só tua, mas não sou, tal como tu não és meu.
Não vou dobrar o joelho a mim mesma. Mesmo que me avises. Muitas vezes. Porque eu vou atrás do que me vai no corpo e na alma.
Não vou por onde me querem mandar. Não vou dobrar por onde acham que tenho de dobrar!
E Setembro, demora muito a chegar?
Nós, por cá, já sabemos que é assim - dez meses de paraíso e dois de bang bang. Felizmente, para quem por aqui vive, distinguem-se bem e percebe-se por onde páram, de modos que é só passar de longe, que a miudagem anda entretida.
É giro vê-los, acreditem que é.
Na praia juntam-se os índios, em amontoados de tendas, panos coloridos, penachos na cabeça, barriguinhas de grande chefe touro sentado e squaw saltitante à volta das crianças, desejando mostrar o que o ginásio prometeu fazer mas é certinho que não fez apesar de estarem convencidas que sim, valeu mesmo a pena. A pele deles é vermelha, como não podia deixar de ser, e reluz ao sol com os óleos dos rituais. As tribos são sempre grandes e barulhentas, com os gritos de guerra a ouvirem-se muito longe, que lá em casa têm de saber que está sol e o mar está quente e o Manelinho já tem outras cores e ontem foram ao franguito assado. Estes índios também sabem que a força lhes vem da união e recusam-se a ficar sozinhos. Prainha boa é prainha atestada, e quantos mais e mais juntinhos melhor, que brincar sozinhos e sem o resto do povo a ver não tem graça nenhuma.
Um bocadinho mais para o interior andam os caras-pálidas. Branquinhos, branquinhos, branquinhos, coitados. Muitos acabaram de cruzar as tais portagens, ainda com o selo de cara-pálida fresquinho na testa, e vieram direitinhos para a tipicamente algarvia Zara, que pode chegar a vizinha do R/C e levar a blusita que vai fazer furor. Outros, branquinhos também, mas à força do after-sun recomendado pela empregada da farmácia de serviço, que isto de brincar aos índios não deixa dormir à noite, deliciam-se com o double-cheese menu que ninguém faz como fazem aqui. Estes também são giros e também andam sempre muito juntinhos. Cavalos e caravanas em círculo cá fora e aí estão eles, felizes, no shópingue, que férias sem shópingue nem são férias de jeito. E depois, convenhamos, lá de onde vêm de certeza que não há shopingues. E se há, não têm estas lojas. E se têm, não têm estas coisas. E se têm tudinho, não são assim assim como estas, que aqui é algarve e é logo outra categoria.
E pronto, nós lá vamos resistindo os dois meses do costume, que não tarda volta tudo ao normal e já se consegue encontrar uma praia decente outra vez, fazer as compritas que não podemos deixar de fazer e andar por estas estradas sem parecer que foram invadidas por hordas de taxistas com a mão na buzina e o pé no acelerador, que antes deles ninguém chega e o lugarzito de estacionamento não lhes roubam de certeza, que são duros e aprenderam lá na selva onde vivem a não deixar que ninguém lhes passe a perna.
Não passamos, descansem, passamos é um belo atestado de pobreza, disso não tenham dúvidas nenhumas.
Private joke
Vou explicar:
Baruch em arabe e' bendito ou bento. Spinoza filosofo de origem portuguesa chamava-se Baruch, mas para os familiares era Bento.
O nome Baruch evoluiu para Barack como o de Barack Obama!
(Fonte: Publico 08.07.07).
Teremos um Presidente dos US Bento Obama?
(obrigada Luis SMB)
David e vários Golias
Pensado, ponderado e com o tal mau feitio a funcionar, aí vai a minha pequena vingança de David.
Estamos em tempo de férias e muita gente deve andar para aí a pensar como levar a net atrás. Sim, é claro que podem comprar uma placa de rede, mas fazer um contrato de fidelização por um ano? Só precisam para os quinze dias do costume, não é?
Ok, aí vai e não digam que vão daqui.
As operadoras só exigem que se faça um contrato dez ou quinze dias depois de comprado o equipamento. Até lá oferecem, pelo menos, 2 GB de tráfego grátis. É só comprar a placa, instalar o programa no portátil, ligar e começar a navegar. Sem mais.
Ai é assim? Mas as placas custam quase 50 euros e fica um bocadinho pesado só para fazer o gosto ao dedo e depois deitar fora.
É aqui que me armo em David e os Golias que se arranjem. Qualquer produto, mesmo estas plaquinhas de rede com tráfego livre incluido, têm um período experimental de 10 dias. E o tal tráfego, mesmo que gasto, não é nunca cobrado. Nem pode ser, que não há contrato.
Vamos então só imaginar, claro!, como resolver o tal problema bicudo de ter net nas férias - compram uma placa numa loja tipo Worten, que representa todas as operadoras, e guardam o talãozinho mágico. Nove dias depois, e esgotado o tráfego gratuito, vão à loja onde foi comprada, ou qualquer outra da mesma cadeia, e devolvem. Não é necessário nem obrigatório dar qualquer tipo de satisfação. Só levar o material todo, saquinhos de plástico incluídos, dentro da caixinha original. Os tais 2 G de tráfego grátis foram-se, mas esses garanto que já os pagámos todos de muitas outras maneiras e que os senhores não ficam mais pobres.
As férias ainda continuam? Muito bem, entregam uma placa e trazem a de outra operadora - são várias, dá para muitas férias...
Chegam a casa, uma ou quatro placas depois, e adeus net portátil não preciso mais de ti? Plaquinha na caixa, bem arrumada e loja com ela. O dinheiro que pagaram, se não tiverem passado dez dias desde a última troca baldroca, é devolvido. Se tudo fôr feito dentro dos prazos - dez dias para cada uma - o investimento inicial é devolvido na integra.
E agora, boas férias e boa net. Eu sinto-me vingada de todas as reclamações que fiz e que ninguém ouviu, dos berros que dei ao telefone, do que paguei e não devia e de me ter sentido tantas vezes impotente na frente destes gigantes. Agora mordo-lhes eu as canelas. E que me digam que não é correcto. Pois pode não ser, mas é absolutamente legal. Eu só constato factos. Cada um que faça o que quiser...
Não é meia dúzia. São seis. E são anos demais.
- Gráfica. Senhor José Augusto.
- máquina de barbear
- rádio de bolso no casaco sala de costura
- livro de instruções telemóvel e carregador (1.º gavetão debaixo camisa)
- pijama, robe e chinelos de quarto.
Foram os últimos recados que o meu pai me deu. Estava com o ar de sempre, do ainda não foi desta, do voltei a enganar a morte. Tinha tido mais um enfarte, mas que era isso, passado o susto do costume era só mais um para juntar à conta.
Não foi, foi o último, mas, por esta hora, esse ainda era um segredo bem guardado.
Morreu quase no virar do dia e a notícia chegou manhã cedo. Ainda hoje, seis anos depois, não consigo perceber como morre um pai e se dorme uma noite sem o saber, sem o mundo parar, sem as paredes cairem, sem os pássaros gritarem, sem uma tempestade desabar, sem um sinal qualquer que nos diga - o teu pai morreu, esta não é uma noite normal.
No minuto em que morreu eu estaria a fazer qualquer coisa, qualquer coisa sem sentido e que nunca seria suposto estar a fazer-se quando o nosso pai está a morrer. Eu tinha de estar distraída, que não consigo acreditar que a vida não nos diga que o nosso pai está a morrer e nos deixe continuar com as nossas coisinhas sem percebermos, naquele instante, o que está a acontecer. Assim, como um choque eléctrico, que vem do nada e para o nada vai, mas que nos pára. Ou foi mesmo maldade de quem manda, de quem sabia que aquele enfarte era o último e guardou segredo. De quem sabia que se eu soubesse tinha segurado o tempo e tinha discutido, refilado, argumentado, lutado, negociado e tudo o resto que costumo fazer e que aqui, quando o devia ter feito, não fiz.
Para tudo o que tive de fazer a seguir, mas que já não foram recados dados por ele, comprei outro bloco para anotar. Este, o das capas vermelhas, ficou por aqui.
Tal como ficou tudo o resto. A máquina de barbear, o rádio no bolso do casaco, o pijama, o robe e os chinelos, as instruções do telemóvel. E o livro, que nunca ninguém leu. Já não está na gráfica do Sr. José Augusto, que fui lá buscá-lo, mas continua embrulhado em pacotes de papel pardo atados com guitas que nunca foram desatadas.
Está à espera.
Tal como eu.
À espera que um dia, um destes dias ou de outros quaisquer, os nós sejam cortados e apareçam as provas que nunca passaram disso - provas finais, prontas a serem lidas, corrigidas e a seguir publicadas. À espera de, finalmente, serem o que ele queria que fossem - livro.
Também nisso, tal como eu.
Hoje, talvez por ser outra vez Domingo, vejo e revejo cada passo que dei há seis anos. E faço as perguntas que a minha filha me faz - será que podemos um dia parar o tempo, um instante que seja, e voltar atrás? Será que eu tinha conseguido olhar o estupor da morte de frente e dizer-lhe aqui, garanto, não passas? Será que, tal como ele queria, o livro tinha sido livro e eu tinha sido mais eu?
Sardinhada
Tá a burra nas couves...
Tenho o gajo das Farc, receitas de culinária, posts a roçar o Henry Miller de vão de escada e as caixas de comentários transformadas em chats que quase lembram os bons velhos tempos - que eu nem sei o que eram, mas ouvi dizer - do Terra ou do ICQ...
Tou feliz!!!! Vou voltar muitas mais vezes para a praia que confusões assim é que gosto!!!!....
Pessoal das caixinhas lá de baixo...
...bora bulir?
É que quero ir para a praia e assim não consigo sair daqui...
Duas cabeças. Duas sentenças. Duas penas...
A efectiva:
"O pastor de 53 anos que insultou e ameaçou uma juíza do Tribunal de Vila Real foi hoje condenado a uma pena de 10 meses de prisão efectiva, mas já anunciou que vai recorrer da sentença. (...)
Durante a leitura da sentença no Tribunal de Vila Real, o juiz Rui Carvalho salientou o "total desrespeito pelos tribunais e autoridades" demonstrada pelo arguido Diamantino Afonso, residente na localidade de Gache. (...)
Foi no 26 de Junho que Diamantino Afonso, não gostando da multa de 600 euros aplicada pelo tribunal de Vila Real reagiu com gritos, insultos e ameaças à juíza do processo, Cristina Rodrigues."
Aconteceu no Oeste
Pôde finalmente fazer com as mãos aquilo que tantas vezes lhe fizera com o olhar. Os dedos a passear pelos caminhos marcados pelo rasto de um arrepio, a cartografia de um corpo desenhada na memória com o impacto das sensações na corrida das emoções pela planície de uma alma despida por antecipação.
A roupa espalhada aos poucos no meio do chão, mais os preconceitos, as reservas e os medos abandonados à sua sorte no limbo do depois se verá. O presente oferecido naquele instante em troca do que o futuro trará quando se dissipar todo aquele calor, o suor convertido em vapor libertado pela locomotiva da imaginação.
O toque de uma mão convertida numa tenaz quando finalmente a tomou por detrás, as ancas feitas rédeas imaginárias num simulacro da dominação cujo testemunho passaria de bom grado a seguir, quando deitado se deixou conduzir pela vontade que ela não precisou de verbalizar.
O brilho naquele olhar recortado pela balbúrdia de um cabelo despenteado pelo movimento, como se bailasse ao sabor do vento soprado pelo galope desenfreado da respiração dos dois.
A recordação saboreada muito tempo depois, no remanso de um trote sem pressas na direcção do pôr-do-sol.
Mas se se armam em difíceis vou ter mesmo de ser eu a fazer o vosso trabalho.
Um dia as gémeas lindas e loiras e suecas, ou outra coisa qualquer, resolveram fazer-se à vida e à estrada e andaram, andaram e andaram e estavam loiras e lindas, e gémeas ainda, e quase perdidas por tanta estrada, quando encontraram um santo no caminho. E o santo, que era santo mesmo, limpou-lhes o pó e matou-lhes a sede e recolheu-as para não andarem perdidas.
Deu-lhes uma cama para dormirem e alimentos para comerem. E o santo, que era santo mesmo, foi agradecer a outro santo maior as graças concedidas e as gémeas lindas e loiras e suecas ficaram sozinhas.
E nisto veio um tubarão e comeu-as.
Assim acaba a histórias das gémeas loiras e lindas e suecas ou outra coisa qualquer e do santo que era santo mesmo e do tubarão que não era vegetariano. E o sexo desenfreado e o bacanal ficaram aqui pelo meio, que só não reparou quem não quis.
O dia a dia
Gosto imenso do que faço.
Tenho orgulho em poucas coisas nesta vida, orgulho daquele a sério, de encher o peito e berrar ao mundo inteiro - estão a ver? Eu sou assim. Mas desta tenho, de sempre ter trabalhado naquilo que gostava de fazer sem nunca ter feito uma entrevista de emprego. Foi achar que devia mudar e... lá apareceu algo de interessante. Até o curso foi estranho mas achei que iria gostar, e gostei.
Hoje, e na continuidade do meu percurso laboral, trabalho numa das poucas empresas que desenvolve soluções de raiz tecnológica em Portugal. Infelizmente não são assim tantas, e de sucesso então, a nível internacional, quase que se contam pelos dedos. E nós estamos lá. Vou deixar a modéstia um bocadito fora deste post, mas somos sem sombra de dúvida líderes de mercado a nível nacional e temos soluções que gladiam com os melhores a nível internacional. Sim, o nosso mercado é o mundo e as soluções já instaladas pelos cinco continentes são prova disso.
Horas atrás, passava num dos corredores do edifício onde estamos instalados e cruzei com um dos meus chefes. Ele é sem sombra de dúvidas a causa principal de eu estar ali a trabalhar, excelente pessoa, justo, sério e acima de tudo muito humano. Trocámos algumas palavras como habitualmente acontece e ouvi uma coisa que ainda é a causa do meu ego estar mais longe que a Voyager II. Em jeito de confidência ele disse: Quando acordo e tenho de vir trabalhar penso no que me espera, e tu és uma das causas de ter coragem para continuar a lutar, havemos de fazer disto uma grande empresa.
Caramba, acanhado como sou fiquei sem saber que responder. Feliz claro, orgulhoso, ainda mais. E lá saiu assim á guisa de agradecimento - Havemos pois, acho que merecemos.
Gosto do que faço, gosto do grupo onde estou a trabalhar e gosto de chefes assim.
Desculpem o desabafo, mas acho que nestes tempos e com todas as dificuldades laborais é bom saber que é possível as coisas correrem bem. Sim tenho sorte, mas a sorte também se faz e também se procura.
Tentem ao menos ser felizes no dia a dia. Por favor.
Psst, ó pessoal masculino...
Ou acham que vou ter de ser eu a escrever sobre sexo desenfreado, ou bacanais, ou gémeas loiras ou essas coisas que era suposto serem vocês a tratar por aqui?
Há dias assim
Mas o dia do medo foi-se e transformou-se em dia de festa, num dia em que um amigo (embora o negue) é mesmo amigo, num dia em que os outros (pouquitos…) amigos continuam a rir-se comigo, num dia em que o filho me mima e em que o sobrinho é um doce.
Hoje é também o dia de aniversário de um dos homens da minha vida. Parabéns Rui!
Há dias que são bons! São dias fantásticos, dias de celebração.
...vamos ao fim da rua.
Vamos acumulando ruas, pessoas, memórias e o mundo vai encolhendo. E um dia descobrimos que até podemos tocar aqui a campainha, mas o mandarim que morre na China foi nosso vizinho do 4.º dto...



