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Manual do Bom Engate (Tomo II - bem conversadinho ainda vou ao terceiro)

Todos conhecemos aquela história do caçador que contava aos amigos, na mesa da cervejaria, como tinha apanhado um leão e como ia na parte em que tinha a boca fincada na juba da fera quando foi interrompido pelo reforço de imperiais e depois da pausa perguntou em que parte da história tinha ficado e disseram-lhe que estava cheio de pelos na boca e ele prosseguiu: - Pelos na boca? Ah, sim. Aí ela fechou de repente as pernas e partiu-me os óculos.
Esta pequena introdução ao Tomo II visa focar a vossa atenção na língua, cujo domínio, como já referi, é essencial ao longo de duas das etapas (a localização/identificação do troféu de caça e a consumação factual do tiro certeiro).

Depois de a língua ter logrado a quebra das frágeis barreiras protectoras construídas em vão pela vítima potencial (frágeis porque apenas para inglês ver e enquanto o bife vê um gajo que é gajo come a febra), é tempo de estudarmos com atenção as reacções da presa encurralada à medida que a confrontamos com o futuro previsível da caçada (que, aliás, dispensa bola de cristal para ser adivinhado quando estamos em face de um gajo dos que comem a febra e ainda gostam da fruta à sobremesa).

O troféu de caça, sempre demasiado convicta da sua capacidade para escapar à estocada final, começa a revelar sinais de impaciência no preciso instante em que se percebe (ou intui) indefesa perante a arremetida seguinte do seu matador.
Enrolam caracóis nos dedos (em vez de os enrolarem na língua, bem regados com umas jolas, as parvas), sorriem com inusitada frequência (mesmo quando um gajo manda uma graçola sem jeito nenhum só para as testar) e começam a transfigurar-se na pala da predadora instantânea (se não podes – e não podes se for o Shark – vencê-los, junta-te a eles).

Junta-te a eles, estão a topar?
Quando elas decidem enveredar pelo olhar de mulher fatal para fazerem de conta que também pintam qualquer coisita e dão uns tiritos pela calada é tempo de pousar a espingarda e preparar o espírito para a luta corpo a corpo que invariavelmente se seguirá.
E é aqui que a língua, esse músculo poderoso (eu treinei o meu na juventude com base num exercício que envolvia azeitonas, como já descrevi noutras paragens), volta a adquirir um peso estratégico fundamental.
O tento na língua, por exemplo, é indispensável neste momento crucial da caçada. Um tiro mal dado e o troféu de caça pode de repente inventar um assunto muito urgente e um gajo fica ali pendurado enquanto a presa escapa vitoriosa, a ver fumegar-lhe em vão a caçadeira.

Só os mais rotinados nas lides da caça conseguem interpretar os sinais que o troféu lança quando já se imagina empalhada (repito: empalhada) contra a parede do salão.
É vital proceder à respectiva avaliação, pois é nesse preciso instante que obtemos um vislumbre das fragilidades a rentabilizar e das potencialidades a explorar depois.Trata-se do equivalente a ter a dentadura cravada na juba do leão. Um apertozinho mais forte da mandíbula e crack!: a presa arrepia-se da cabeça aos pés enquanto cogita acerca da química, do amor eterno, da hora de chegada a casa do marido, da paixão assolapada, do guisado ao lume e de outros devaneios insanos tão típicos de um troféu de caça que se sabe completamente à nossa mercê.

Manual do Bom Engate (Tomo I)

Bom, visto que esta casa está aos poucos a pintar-se em tons rosa e agora que tenho as costas largas porque o nosso Roger Moore voltou (as costas ficam largas por causa das asas), decidi ser generoso e deixar aqui à rapaziada um pequeno manual de instruções para garantir o sucesso numa empreitada de engate que, como todos sabemos, é um trabalho que só se dá por concluído no final da fase de acabamentos.
Assim sendo, este é um post de e para gajos a sério pelo que gajas, gaijas e indeterminados não têm permissão para lerem este post (e muito menos para o comentarem).

Vamos lá começar pelo princípio, pois a(lguma)s redundâncias podem ser muito apreciadas no contexto em apreço.

No início era o caos. Hábeis em desorientarem um gajo com as suas atitudes imprevisíveis e não raras vezes contraditórias, as mulheres (doravante citadas como troféus de caça - isto é um post de e para machos, deixem-se de tretas) sempre procederam ao culto da confusão para baralharem um gajo e o deixarem sem coragem (leia-se "sem tomates") para a abordagem à pirata (à força toda). Nada disso, jamais cedam a esse mecanismo de filtragem dos totós porque é disso que se trata. Só fogo de vista para apalpar o pulso aos candidatos e afastar da porta os que nem alcançam os mínimos para a competição em causa.
A ideia é ultrapassar essa barreira artificial entendendo-a como tal. Às vezes um sorriso matreiro é quanto baste, mas a coisa fica garantida com um ar determinado na hora da verdade. Elas precisam de certificar-se de duas coisas: que o gajo tem mesmo vontade de lhes dar a volta (leia-se "de lhes saltar prá espinha") e, em simultâneo, possui capacidade para levar até ao fim a iniciativa.
Por "levar ao até ao fim" entenda-se ter bons princípios e conhecer a importância dos entretantos.

Com esta última frase quero-vos deixar bem claro que elas, os troféus de caça, tanto podem sobrevalorizar o princípio como o meio e raramente assumem ter algum interesse no desfecho (que, de resto, adiam muito para lá do razoável na nossa perspectiva mais terra-a-terra).
Isto implica que devemos saber repartir os pontos fortes da actuação entre as três etapas da caçada.
E a primeira fase consiste na identificação do troféu, o que passa acima de tudo por lhe descobrir a toca.
Quero com isto dizer que o início é marcado quase exclusivamente pelo uso exaustivo desse recurso valioso que é a língua (voltaremos ao assunto mais adiante, noutro Tomo deste manual, onde veremos que a língua, mais do que um simples complemento da restante instrumentação, pode constituir uma arma certeira, um verdadeiro aríete para derrubar em definitivo os derradeiros obstáculos à desbunda total do troféu de caça).
Devemos, nesse apalpar do terreno (também voltaremos a esta delicada questão do apalpanço), desconstruir as barreiras artificiais a que faço alusão acima com base na conjugação perfeita entre um olhar confiante e perscrutador e um discurso acutilante e demolidor.
É a fase do acerto da mira, ao longo da qual apontamos baterias à consolidação da certeza de que somos atiradores dignos de introduzir o balázio na pele fina e sedosa do troféu de caça.

(continua)