Parece que a ASAE fechou o refeitório da Santa Casa da Misericórdia de Faro, a "sopa dos pobres" como diz a notícia como se hoje em dia não fossemos todos pobres, por ter encontrado umas baratas mortas. O senhor provedor já explicou, e é óbvio que eu acredito, que a bicheza só estava ali porque na véspera, exactamente na véspera, um dia antes estão a ver?, tinham feito uma desbaratização e as baratas, que não são como os elefantes e vão morrer longe, esticaram o pernil mesmo ali no meio da cozinha. Mais explicações? Estão lá, na porta fechada - «Atenção, lamentamos informar que por encerramento da ASAE, este refeitório social não tem possibilidade de servir refeições durante um período indeterminado.».
Nem mais. O problema não foi a sujidade ou a população residente de baratas, o problema foi a ASAE, aqueles gajos feios e maus que, ainda segundo as palavras do provedor, não põem as pessoas em primeiro lugar.
Não sei como é com vocês mas eu estou um bocadito para o farta de ouvir dizer mal da ASAE. É que não é por nada, mas de repente as casas de banho dos locais públicos deixaram de ser uma extensão do esgoto mais próximo para parecerem casas de banho e só isso já seria o suficiente para eu agradecer efusivamente aos senhores que me pouparam perigosas subidas da tensão arterial cada vez que as minhas filhas, mal saidas de casa, se torciam num xixi urgente. Mas vamos lá, nem toda a gente pode querer viver sob a tirania do algodão e até eu gosto, porque gosto, daquelas bifanas que eram feitas em frigideiras que não viam água desde que pela primeira vez foram postas em cima do fogão e que a ASAE agora teima que devem ser lavadas. Portanto, para agradar a todos, tenho uma sugestão para a próxima legislatura. Uma alteração, pequenina, na lei. Um artigo qualquer, com uma alínea qualquer, que permita pedidos de escusa. Quem não quiser a ASAE a bisbilhotar os cantos é só meter o papelinho que é simplex (espera-se! ou melhor, eu espero...).
Mas, pensavam que não ia haver um "mas"?, quem quiser festa será obrigado a colocar, no exterior do estabelecimento e em local bem visível, um letreiro qualquer a dizer mais ou menos isto - "Atenção, aqui pomos as pessoas em primeiro lugar e a ASAE não entra".
E isto era o artigo. Na alínea, que até podia ser parágrafo, deveria também ficar previsto que o SNS não comparticiparia quaisquer despesas de saúde que estivessem directamente relacionadas com a frequência de ZLA's (zonas livres de ASAE, como se percebe bem...). As companhias de seguros não precisariam de alínea alguma, ou parágrafo, que elas sabem muito bem o que fazer com os trocos delas.
Pronto. Questão resolvida.
E, se me quiserem convidar para jantar, irei de bom grado, com letreiro ou sem letreiro, ao "Zé Manel dos Ossos" ou a mais umas tascas que deviam ser património nacional mas, de resto, eu já disse que gosto de cozinhar e sou muito caseira, não já? É que ou há ASAE ou não me apanham de lista na mão a encomendar costeletas de borrego com alecrim..