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Sócia, tu concentra-te, estás a falar de sexo.

Havia ali qualquer coisa que não me fazia sentido mas estava tão bem disfarçada que foi preciso começar a fazer o desenho para dar com o rabo do gato escondido.

Sexo puro e duro, mesmo sem trocadilhos, não é? Pulsão, tesão, uma é pró que é sem flores nem rodriguinhos, o animal e coisa e tal, a busca do prazer infinito do desejo aplacado. Corpos suados na luta, corpos que se servem e são servidos, corpos que se engolem, se devoram, corpos que gemem de prazer sem dono e sem hora marcada, corpos sem outras regras que não sejam as deles, corpos de gente que quer ser bicho, corpos que fodem. Corpos que derreiam e são derreados. Corpos aplacados.

Não, não queremos amor nessa altura, queremos foder, tout court. O amor, o tal amor, pode estar a montante e a juzante ou mesmo nem ser para aquela cama chamado porque os corpos não precisam dele mas, e é aqui que pela boca morre a Peixa, corpos derreados não se entrelaçam se não se quiserem para além do desejo satisfeito. Corpos derreados repelem-se, não se procuram, a partilha do momento, ou das horas, ou dos dias, acaba com o momento que foi partilhado, o animal está satisfeito. A não ser que já não seja o corpo que se procura mas o outro que está ali naquele corpo e é esse, e só esse, que se entrelaça mas isso, miúda, já não tem nada a ver com sexo. Deixa-te lá de romantismos e foca-te, tira o amor daquela cama e no fim tens corpos satisfeitos, derreados e espalhados por tudo quanto é canto, cruzados se assim ficaram no orgasmo final em que se esgotaram mas nunca ronronantes e entrelaçados a partilharem o momento em sussurros de é tão bom não foi.