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Das cartas Dear John e de como o que é preciso é engolir a pastilha e digeri-la depressa

Já lá vão uns anos valentes ou, pelo menos, já lá vão os suficientes para a história poder ser contada e o arquivo aberto ao público. O princípio é simples e mais vulgar não há, gaijo conhece gaija, gaija conhece gaijo, gaijo e gaija apaixonam-se e vivem felizes. Para sempre? Para sempre não, para sempre é muito tempo e ninguém tem tempo para esse tempo todo, vivem só felizes até um deles ir embora e, nesta história, foi ele. Saiu assim, de sopetão, num dia sim no outro não e deixou-me como todos ficamos nessas alturas de fim do mundo, de coração partido, a chorar baba e ranho e ranho e baba e a ler, vezes e vezes e vezes sem conta, a cartinha Dear John que teve a amabilidade de me mandar. Uma carta linda, uma carta que agora me faz pensar que tudo está bem quando acaba bem porque se o tal tempo que passou já me esbateu os contornos de quem a escreveu o que ficou escrito relembra-me que o amor deve ser mesmo cego porque eu, na plena posse das minhas faculdades, nunca choraria baba e ranho e ranho e baba por alguém que escreve uma cartinha assim:
Querida Teresa
Quero que saibas que nunca ninguém me deu tanta coisa com a qualidade de tantas coisas que tu me deste. Nunca o esquecerei e, por isso mesmo, guardarei sempre de ti uma imagem resultante do tanto que trocámos: ternura, entusiasmo, esperança, descoberta, amor, entrega, loucura, excessos, lágrimas, zangas e apaziguamentos e tanto, tanto mais..... Fica a imagem duma pessoa TOTAL, GENUÍNA, REAL! Fica a infinita ternura! Nunca te esquecerei. Quanto a mim, desisto! Sabia que serias a minha última oportunidade de encontrar "aquela" felicidade ao lado de alguém. Mesmo que não o soubesse já, sei agora que, depois de te ter conhecido, a fasquia ficou muito alta. Condenaste-me a ser feliz sozinho. 

E eu chorei e chorei e chorei. Depois de ter chorado um dia inteiro e mais uma noite, é choro mais do que suficiente, percebi que só iria engolir a afronta quando pusesse o palhaço no sítio e trocasse as lágrimas pelo riso abrindo um novo tempo. E assim começou o tempo do mãos à obra. Passei a chamar-me Luiza em menos de um ai e mandei a Luiza fazer a ronda das capelinhas virtuais por onde eu sabia que ele iria andar. Encontrei-o rapidinho, é fácil caçar quando se conhece bem a presa, e mais depressa ainda a Luiza chegou à fala com aquele que, 24 horas antes, eu Teresa tinha condenado a ser feliz sozinho. Durante uma tarde inteirinha trocámos patetices num bom e velho chat e quando a noite desceu nem uma lágrima já se atreveria a incomodar-me. A pastilha estava engolida, faltava a estocada final para a saber digerida. Pus a minha letra mais fofinha e queridinha e honestinha mandei-lhe um número de telefone e pedi para me ligar. Ligou.
Olá, Luiza.
Não sou Luiza, o meu nome é Teresa, estás bom?

Ainda hoje tenho nos meus ouvidos o som de uns tomates a caírem do outro lado do telefone e a esborracharem-se no impecável chão de mármore.

Quando, de vez em quando, dou por mim a pensar que estou velha lembro-me de tudo o que a vida me ensinou e de como sou muito mais feliz assim. Uma cabra, claro.

(Disclaimer: O tipo não lê este blog, o tipo nem deve saber deste blog porque nem eu seria tão cabra assim...)