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17 - Qualquer miúdo devia fazer uma caminhada ao luar.

Vim agora da rua, que aqui não é rua nenhuma, é campo a perder de vista. Andei a passear. Sem luzes, sem neons, sem barulhos de carros e apitos de sirenes. Sem montras para ver, sem gente a cruzar-se comigo, sem semáforos a mandarem-me atravessar e sem destino marcado. Estava eu, os cães, os mochos, as cigarras, os patos do lago que fogem assim que me vêem - gosto de lhes atirar pedradas para os ver mergulhar de repente... - e a lua.
Está uma lua cheia de rebentar corações e aquecer almas. E, aqui, fica mais cheia e mais lua. E os corações e as almas rebentam e aquecem ainda mais.
De alma aquecida e coração rebentado, ou o contrário, lembrei-me, agora que aqui cheguei, de um livro.
Comprei há muito tempo, mas já na altura não havia muito mais para fazer, que estava quase tudo feito. Chama-se "91 Coisas que todos os miúdos deviam fazer". A 17 é o título deste post. Mas há mais, muitas mais.
Por cá já demos muitos passeios ao luar. Com chuva, muita chuva, com calor, com nada. Passear, só por passear. E elas habituaram-se a esta mãe estranha, que as arranca de casa a meio da noite para andar por aí. E se está a chover melhor, que a mãe ainda fica mais estranha e a aventura maior.
As férias estão a começar. Os miúdos vão ser empacotados e despachados, aturados, embalsamados, encaixados em frente de televisões e playstations, vão dar cabo de nós e nós deles.
Pode é não ter de ser assim. Ainda há mais noventa coisas que todos os miúdos deviam fazer. E mais luas cheias. E garanto que, se a meio da noite e da novela, forem tirados de casa para passearem ao luar, eles só vão agradecer. Mesmo que ainda não o saibam.
As outras coisas irão saindo também por aqui, que as férias são grandes, muito grandes.
São As férias grandes, lembram-se?