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the 5th of november

Toda a gente fala de Guy Fawkes nos últimos anos, desde que o Plano da Pólvora se tornou moda. Mas, como acontece com grande parte da cultura que se aprende nos filmes, muita gente confunde Fawkes com o líder do Plano da Pólvora, e o Plano em si com uma intentona de motivações nobres e elevadas.

Mas o mito, não substituindo a verdade, sobrepõe-se tantas vezes a ela que hoje temos a imagem de Guy Fawkes, da máscara de Guy Fawkes, associada a uma espécie de anonimismo interventista a que tantos se associam.

O que não percebem é o reverso da medalha.

Guy Fawkes, para ser forçado a confessar, foi torturado num potro durante quatro dias, até confessar.

O potro funciona esticando as pessoas até - e para além - dos seus limites. Começa-se por lhes prender as mãos e os pés, e vai-se esticando lentamente. E quando parece que já não estica mais, estica-se só mais um bocadinho.

Ironicamente, quando tantos já usaram a máscara de Guy Fawkes para se integrar na tal turba anónima que é suposto inquetar os Governos, os mesmos Governos tratam-nos, a todos, como a Guy Fawkes.
Impõem-nos uma crise, de sua própria manufactura, e começam a esticar-nos devagar, com mais impostos, com mais taxas, um depois do outro.

E nós, como os torturados no potro, gritamos e dizemos que não aguentamos mais, mas estamos atados de pés e mãos por casas e por filhos e por famílias e fugir não é fácil e também dói.

Eles vão continuar a esticar a corda, até que os deixemos, até que uma qualquer espécie de síndrome de Estocolmo que nos é tão particular nos vá dizendo a todos que eles afinal até têm razão, que até estão a proceder bem, que não tinham outra hipótese. Coitados. Os torturados da Inquisição também acabavam por achar que quem os esticava tinha razão, e por agradecer terem sido levados à luz divina. Os que não morriam pelo caminho, claro, mas esses era porque eram demoníacos e maus - como maus e "a viver acima das suas possibilidades" são os que hoje se insurjem contra o potro fiscal.

Há quem diga, gritando como os torturados, que isto não se aguenta.
Na opinião deles, citando Fernando Ulrich, "aguenta, ai aguenta".


Cabritinhos de Serviço (uma posta pequenina)

Queridos sobrinhos, sobrinhas e filhotes, esta postinha é dedicada a vocês, neste que é o Dia Mundial dos Cabritos


Está na hora da caminha vamos lá dormir... Ah, não, não era isto...
Está na hora de os mais novos de entre vós irem dormir e os mais velhos já não se devem identificar com a designação "crianças", mas sabem como é: para nós, pais, mães e tios, vocês serão sempre os nossos cabritinhos. De forma que, sendo hoje o dia que é, a Tia Calamitosa quer mandar-vos uma beijoca especial. Projecto de Peixe, Tubarinha (aka Marafilha) Chefinhas (aka Atrasadinha da Manhã e Clara), Gaijito do Norte, Santinho (pois percebi há dias que existe um Santinho), Mini-Calamity e Calamitoso Júnior - e espero não me ter esquecido de nenhum - , vocês são o futuro deste país, mas sobretudo deste grandioso curral.
Quando tiverem um tempinho, dêem uma espreitadela a um livro que releio de cinco em cinco anos, para tentar nunca me esquecer da cabrita que vive em mim. Esse livro diz algumas das coisas mais importantes que um cabrito deve saber, como esta: "As pessoas crescidas nunca percebem nada e torna-se muito cansativo para as crianças ter de estar sempre a explicar-lhes tudo".
Peço-vos, queridos cabritos, que continuem a ter paciência e a explicar-nos tudo muito bem explicadinho. Está visto que têm feito um bom trabalho...

(Ah, o livro de que falo chama-se O Principezinho. De certeza que as/os Cabras, vossos pais, mães e tios têm um exemplar numa das estantes lá de casa...)